Apoio do Centrão a Alckmin alerta esquerda, mas partidos mantêm candidaturas próprias

Enquanto a centro-direita brasileira caminha para consolidar a aliança em torno da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República, a esquerda não consegue se articular lançando, cada partido, uma candidatura. O único partido a dar um passo concreto foi o PCdoB, que publicou resolução com um “chamamento às esquerdas” para a unificação das candidaturas.

Ontem, em Aracaju, a pré-candidata pelo partido comunista, Manuela D’Avila, afirmou que permanecerá na disputa enquanto não houver uma sinalização dos demais candidatos de que estão disposto a trabalhar pela convergência. “Ao que tudo indica, nosso apelo pela unidade não está tendo êxito. Então, o que posso eu fazer se não receber com muita honra o desafio que me foi lançado pelo meu partido e que creio tem sido exitoso?”, indagou Manuela, ao falar com jornalistas. Ela ressaltou, no entanto, que não será “óbice para a unidade”. 

Apesar de achar pouco provável que os demais candidatos de esquerda abram mão da própria candidatura, ela alertou para o perigo de que as eleições de outubro desemboquem na manutenção do atual programa de governo que, segundo ela, é comandado pelos mesmo partidos que se uniram em torno da candidatura de Alckmin. “São quatro as candidaturas do nosso campo e a solução deve ser uma saída conjunta para esse campo. O que há de mais importante nesse processo eleitoral não é a construção da minha trajetória individual”.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB- RJ), dirigente nacional do partido, disse que é urgente que as esquerdas tracem uma estratégia para contrapor a aliança das legendas da direita. “Existe uma novidade na conjuntura eleitoral. Houve um movimento de unificação política em nome de uma agenda que está destruindo o Brasil. Numa campanha de 45 dias, não se pode subestimar este movimento”.

Jandira disse que o PCdoB manterá “até o fim” o propósito de buscar a unidade das esquerdas. “Nossa tarefa central de provocar o PT, o PDT, o PSB e o próprio Psol a fazerem a unidade já no primeiro turno. Entendemos a legitimidade de que cada um tenha a sua pré-candidatura, mas é necessário que a gente pense no Brasil e tenha responsabilidade com o nosso país”. 

Embora ressalte a importância do PT e a liderança de Lula entre as esquerdas brasileiras, Jandira disse que os dirigentes petistas devem se abrir à negociação em torno da unificação e “só depois de unidos decidirmos quem será o candidato apoiado por todos”. 

Há, no PT, lideranças que concordam com a deputada. Na semana passada, em conversa com jornalistas em Brasília, o governador baiano Rui Costa opinou que na impossibilidade de o ex-presidente Lula ter o seu registro homologado pelo TSE, o seu partido deveria apoiar outro candidato ao invés da candidatura própria. “A melhor pessoa (para se candidatar) é Lula, que tem condições de vencer no primeiro turno. Mas, ele não podendo, acho que não necessariamente o candidato tem de estar filiado ao PT”. 

Também da Bahia, o deputado petista Afonso Florence, que participa das conversas no diretório sobre tema, disse que o PT não trabalha com a hipótese da não candidatura de Lula. “Há uma incógnita em relação ao que o TSE vai decidir. E existe uma pressão social comprovada pelas pesquisas, que vai fazer com que a candidatura seja homologada. É com isso que contamos. Outras candidaturas, será um passo seguinte”

‘Vamos ver o que me escapa nesse balé’ 

Após ver o bloco do Centrão fechar um acordo com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para a corrida presidencial, o pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou que ainda espera fechar alguma aliança com outros partidos.

“Vamos ver o que escapa para mim desse balé, é muito cedo ainda. Embora esteja na cara do gol, os partidos todos praticamente decidiram que vão tomar suas deliberações no último dia”, disse o presidenciável, ontem, em entrevista à TV Record de Santa Catarina exibida pela emissora nas redes sociais. 

Ao falar sobre a necessidade de fazer alianças com partidos de diferentes ideologias, Ciro justificou “aceitar esse balé” pela necessidade de garantir governabilidade se eleito. “Eu tenho que aceitar esse balé. Às vezes a população não entende, tem muita razão para isso. Quem quiser conversar, eu converso, porque estou olhando a eleição, mas eu tenho que olhar o dia seguinte”, disse o presidenciável. Ciro explicou que não quer ser eleito “ditador do Brasil” e que um presidente é obrigado a conversar com diferentes partidos.