Conheça as propostas dos candidatos à Prefeitura do Rio

Aspirantes abordaram principais temas em entrevista ao JB

O Jornal do Brasil publicou, entre os dias 23 e 28, entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro. O leitor poderá rever, agora, a visão dos candidatos sobre alguns dos principais pontos para governar a cidade pelos próximos quatro anos. Marcelo Crivella (PRB), Marcelo Freixo (Psol), Jandira Feghali (PCdoB), Indio da Costa (PSD), Carlos Osorio (PSDB) responderam a perguntas sobre educação, saúde, mobilidade urbana e legado olímpico. Os candidatos Alessandro Molon (Rede) e Flávio Bolsonaro (PSC) não quiseram participar da série de entrevistas.

Os entrevistados divergiram, por exemplo, sobre o real legado dos Jogos Olímpicos para a cidade. Candidato da situação, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB) argumentou que o legado é “inquestionável e reconhecido pela população”, enumerando a ampliação dos corredores do BRT, a Linha 4 do metrô e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) no centro do Rio, além da revitalização de bairros da Zona Portuária. Principal oponente do peemedebista na vaga para o segundo turno das eleições, Marcelo Freixo (Psol) disse que “o evento em si foi muito bem executado”, mas que é preciso lembrar dos escândalos de propina e superfaturamento nas obras.

“O orçamento inicial da Olimpíada era de R$ 24,5 bilhões. No final, ela custou R$ 40 bilhões. E como todo mundo sabe, do Parque Olímpico ao Porto Maravilha, as obras realizadas pelo PMDB são repletas de escândalos de propina e superfaturamento que estão sendo investigados pela polícia. Não existe transparência nos contratos, muito menos nos processos de licitação. É um jogo de cartas marcadas. O pior de tudo é que o PMDB ainda se esforça para tentar vender ao povo uma imagem de gestores modernos e eficientes. É muita cara de pau!”, defendeu Freixo, lembrando ainda do desabamento da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer.

Candidata do PCdoB, a deputada federal Jandira Feghali foi ainda mais incisiva. Para ela, não há o que comemorar no pós Olimpíada: “O legado real não existiu. A mobilidade ainda continua péssima em pontos da Zona Oeste e Norte, a Prefeitura se virou apenas para os interesses dos empresários e esqueceu por completo o resto da cidade. A Linha 4 do metrô gastou bilhões para levar de Ipanema à Barra, enquanto podia-se com a mesma verba terminar a linha 2 até Santa Cruz”.

Jandira e Freixo também têm a mesma opinião sobre o sistema de linhas de ônibus da cidade. Ambos afirmam que é necessária uma auditoria profunda nos contratos de empresas com a Prefeitura. “A gestão do município foi sequestrada pelas empresas há muito tempo e os interesses da população foram escanteados”, diz Jandira. Freixo, por sua vez, garante que vai redistribuir as linhas de ônibus. A organização atual segrega a cidade, defende ele. “A recente reorganização das linhas aumentou o número de baldeações necessárias para o trabalhador sair de casa e acirrou a segregação espacial”.

Questionados sobre a percepção da população sobre a qualidade do atendimento nos hospitais públicos, os candidatos atacaram as OSs (Organizações Sociais de Saúde). Carlos Osório (PSDB) afirmou, na entrevista, que vai determinar na primeira semana de governo uma revisão nos contratos das OSs. “A saúde pública está à beira de um colapso. Vou devolver os R$ 750 milhões que foram retirados do orçamento nos últimos três anos”, disse o candidato tucano. “Não adianta investir em maquiagem, sem falar que não há transparência na gestão das OSs”, complementou Marcelo Crivella. Jandira Feghali também disse que essencial rever o modelo das OSs.

Bandeira de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro na educação fluminense, a escola em tempo integral foi resgatada nos programas de governo da maioria dos candidatos. Pedro Paulo, Marcelo Freixo, Carlos Osório e Jandira Feghali defendem a proposta. "A gente foi beber na fonte de sabedoria de Brizola e Darcy Ribeiro, por isso queremos escola em tempo integral, com comida de qualidade, turno estendido com cultura e esporte. Dar a tranquilidade à mãe de que o filho está sendo capacitado para o futuro com um ensino moderno", defende Jandira.

Osório afirma, ainda, que houve queda nas matrículas para o ensino em tempo integral de 2014 para 2015 e compara a situação do Rio com a de outras capitais. "Em 2014, 23% das matrículas na rede municipal eram destinadas a escolas em tempo integral. No fim do ano passado, este percentual caiu três pontos, passando a ser 20%. O que coloca o Rio de Janeiro atrás de capitais como Curitiba (39%) e Belo Horizonte (34%)", argumenta o tucano.

Já em relação à polêmica entre os táxis e os carros que transportam passageiros por meio do aplicativo Uber, o candidato do PSD, Índio da Costa, não sinaliza para nenhuma medida radical. Segundo ele, o Uber existe "porque a população comprou a ideia e é uma questão que o mercado resolveu". Ele diz que é preciso facilitar a vida dos taxistas, "sujeitos a uma série de burocracias e taxas". Indio acusa a Prefeitura de fazer demagogia com o tema, tendo em vista as eleições.

"A prefeitura pode encontrar o ponto ideal. Não faz, porque trabalha com a lógica do voto. Como o número de taxistas é maior, bem maior, o que equivale dizer que há mais eleitores entre os taxistas do que entre os que operam o Uber, a prefeitura opta pelo discurso demagógico de proteger os táxis", afirma Indio, deputado federal pelo PSD.

Marcelo Crivella afirma que não se pode abandonar os taxistas: "Não podemos combater o avanço tecnológico nem abandonar os taxistas, que precisam de ajuda para modernizar a frota". Jandira complementa, tocando no delicado ponto sobre as autonomias de taxistas para empresas: "É preciso garantir a autonomia diretamente para o taxista, vedando a entrega às empresas. Sobre o Uber, regulação, cadastramento e fiscalização. Não há como proibir serviços inseridos na 'economia do compartilhamento', mas não pode haver competição desleal entre as duas modalidades".

Veja, na íntegra, a opinião dos candidatos sobre alguns assuntos:

>> Jandira Feghali: Não há como proibir o Uber, mas não pode haver competição desleal com o táxi

>> Pedro Paulo: Legado olímpico é inquestionável e reconhecido pela população

>> Marcelo Freixo: Obras do PMDB têm propina e superfaturamento

>> Carlos Osorio: Saímos dos Jogos com legado pequeno

>> Indio da Costa: A prefeitura apaga os incêndios, mas não os evita

>> Crivella: Prefeitura optou por fazer grandes obras e esqueceu das pessoas