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Crivella: Prefeitura optou por fazer grandes obras e esqueceu das pessoas

Jornal do Brasil publica entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio

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Jornal do Brasil dá continuidade nesta quarta-feira (28), com o candidato do PRB à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, à série de entrevistas com pleiteantes ao cargo de prefeito ou prefeita da capital fluminense pelos próximos quatro anos. Saúde, educação, mobilidade urbana, segurança pública e legado dos Jogos Olímpicos de 2016 são os temas comentados por todos os candidatos.

Marcelo Crivella é formado em Engenharia Civil, tem 58 anos, está em seu segundo mandato como senador pelo Rio de Janeiro, foi ministro da Pesca no governo de Dilma Rousseff entre 2012 e 2014. Crivella foi duas vezes candidato ao governo do Estado do Rio, concorre agora pela terceira vez à Prefeitura da capital pela coligação "Por Um Rio Mais Humano" (PRB/PR/PTN) e seu vice é o engenheiro Fernando Mac Dowell (PR).

Confira a entrevista com o candidato Marcelo Crivella:

Jornal do Brasil - Há legado dos Jogos Olímpicos para a cidade? Se sim, que tipo de benefício eles podem trazer à população? Se não, quais foram as falhas na execução da Olimpíada e na forma como esses legados foram construídos?

Marcelo Crivella - É inegável que há algum legado. Vimos nas ruas a população aproveitando os espaços de lazer. Esse é um dado positivo, assim como alguns equipamentos esportivos. O problema é que a Prefeitura optou por fazer grandes obras e esqueceu das pessoas. A prefeitura deixou de investir R$ 1 bilhão da Saúde para colocar nas Olimpíadas. Dinheiro que nós vamos recuperar para a Saúde, porque a população não pode esperar meses para marcar um simples exame. A doença não espera. Esse é um legado que, infelizmente, não podemos ter. Os jogos Olímpicos mostraram a capacidade da nossa população de realizar, de receber bem os visitantes, mas agora temos pela frente um grande trabalho a fazer: cuidar das pessoas, melhorar a saúde e a educação. 

Jornal do Brasil - Muito embora se argumente que hospitais estaduais foram municipalizados e que houve investimentos, a população se queixa muito da Saúde na cidade. De onde vem essa percepção da população, que é a real usuária do serviço?

Marcelo Crivella - A percepção vem do atendimento ruim na ponta. Não adianta investir em maquiagem, há hospitais que tiveram reformas, como o Rocha Faria, mas se você for ao Hospital Souza Aguiar vai ver que há equipamentos quebrados, faltam médicos, faltam remédios, sem falar que não há transparência na gestão das OSs. E as filas para cirurgias? Pacientes, além do sofrimento com a doença, sofrem nas filas, às vezes, para um simples procedimento. O Rio precisa de clínicas com especialistas, isso vamos fazer. As policlínicas vão resolver esse problema. 

Jornal do Brasil - Diante de históricas reivindicações de professores por melhores condições de trabalho e valorização da carreira, como o senhor pretende melhorar a educação pública na capital fluminense?

Marcelo Crivella - A maior riqueza das pessoas é a Educação. Temos que resgatar os recursos que foram aplicados em obras para investir na melhoria do ensino. Mais de 60 mil crianças abandonaram as escolas nos últimos três anos. O orçamento médio de manutenção das escolas da rede pública caiu 27% entre 2012 e 2015. Não por acaso o resultado das nossas crianças no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) estagnou. Para reverter esse quadro, vou aumentar em 20% o custeio das escolas. Os recursos existem. Vou criar 20 mil novas vagas em creches e 40 mil novas vagas em pré-escolas até 2020 por intermédio  de uma Parceria Público Privada (PPP) onde o parceiro privado fique responsável pela construção e manutenção administrativa das novas unidades de ensino infantil (EDIs) e a Prefeitura, pela parte pedagógica e pela merenda escolar. E vamos dar continuidade em programas já existentes que são bem avaliados pela população, como o Escolas do Amanhã.

Jornal do Brasil - As propostas de mobilidade urbana sofreram muitas críticas, desde a descaracterização até a extinção de linhas que ligavam a Zona Norte à Zona Sul da cidade, no caso dos ônibus. Como se resolve essa questão?

Marcelo Crivella - Primeiro temos que ouvir a população. O processo de racionalização das linhas de ônibus não levou em consideração as necessidades do nosso povo. Ele simplesmente foi feito e ponto. Por isso, temos que ouvir quem usa os ônibus, revisar o modelo e, a partir daí, adotar um sistema que reduza o número de baldeações, por exemplo. O sistema de mobilidade tem que priorizar o cidadão. O que não está acontecendo. Temos que aumentar a frota de algumas linhas. Vou exigir das concessionárias que operam o sistema de BRT na cidade um aumento de 20% da frota até o final de 2018. É essencial reduzir a superlotação, o desconforto dos passageiros durante as viagens. A frota de ônibus tem que estar 100% equipada com ar-condicionado, promessa olímpica do prefeito Eduardo Paes que não foi cumprida. Vou cobrar das empresas que essa lei seja cumprida. Outro ponto importante: vou ampliar para 3 horas o prazo de utilização do Bilhete Único Carioca (hoje, esse prazo é de duas horas e meia) e estender seu uso para o Metrô Rio até o final de 2018. A integração entre os modais gera economia de tempo e de dinheiro para o cidadão. 

Jornal do Brasil - Há uma polêmica muito grande em torno da regularização do Uber. Alguns candidatos dizem que vão extinguir o serviço, enquanto outros sinalizam para a taxação. Há, ainda, os conflitos de taxistas com motoristas do Uber. Como resolver essa questão sem demagogias?

Marcelo Crivella - É fundamental que essa situação seja resolvida sem brigas e conflitos. Não pode haver episódios de intolerância, de violência. Acredito que pelo diálogo chegaremos a um consenso que agrade a todos. O importante é que a população seja bem atendida tanto pelos 33 mil taxistas quanto pelo serviço do Uber. Não podemos combater o avanço tecnológico nem abandonar os taxistas, que precisam de ajuda para modernizar a frota. Vou procurar experiências bem sucedidas para que táxi e Uber convivam de forma ordeira e civilizada.

Jornal do Brasil - No debate da Band, houve divergências quanto à maneira da prefeitura lidar com a questão da Segurança. Ela é sobretudo de responsabilidade do governo do estado. Desmilitarizar, armar a Guarda Municipal ou há um meio termo para evoluir nesse tema?

Marcelo Crivella - A Segurança é de fato uma atribuição do governo do estado do Rio, mas a prefeitura não pode virar as costas a esse problema que é tão grave na nossa cidade. A prefeitura tem um efetivo importante que é a Guarda Municipal, que hoje serve basicamente para multar. Uma atribuição errada. Temos que redirecionar imediatamente o foco da Guarda Municipal. Vamos investir no policiamento comunitário, na vigilância ostensiva da cidade, garantindo a presença de pelo menos 80% do efetivo da Guarda nessas operações até o final de 2018, especialmente nas áreas com índices elevados de roubo a pedestres e furto de veículos – atuando sempre de forma integrada com as forças de segurança. E temos que usar a tecnologia a nosso fazer, ampliando em pelo menos 20% o número de câmeras de vigilância do município até 2020. Aproximação, vigilância, tecnologia. Esses são os primeiros passos que a prefeitura deve adotar para auxiliar o estado. Há outras ações também como iluminação de ruas, conservação dos espaços públicos como praças e jardins, podas de árvores, que podem parecer ações pequenas mas que fazem a diferença no dia a dia da cidade. Uma cidade bem organizada, bem iluminada, coíbe a depredação, o pequeno furto. Mas antes de tudo, a população precisa ver a Guarda na rua. 

Veja as entrevistas que já foram publicadas*:

Jandira Feghali: Não há como proibir o Uber, mas não pode haver competição desleal com o táxi

Pedro Paulo: Legado olímpico é inquestionável e reconhecido pela população

Marcelo Freixo: Obras do PMDB têm propina e superfaturamento

Carlos Osorio: Saímos dos Jogos com legado pequeno

Indio da Costa: A prefeitura apaga os incêndios, mas não os evita

* Os candidatos Flávio Bolsonaro (PSC) e Alessandro Molon (Rede) não responderam às perguntas elaboradas pelo Jornal do Brasil para a série de entrevistas.