Eleição: combate à corrupção, economia e coerência política são destaque

Candidatos à Presidência da República participaram de debate na Record

Os candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Luciana Genro (PSol), Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB) participaram, na noite deste domingo (28), de debate promovido pela Rede Record e mediado pelos jornalistas Adriana Araújo e Celso Freitas.

No primeiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si, em ordem definida por sorteio. 

Dilma perguntou a Marina sobre as trocas de partido da ex-senadora e mudanças de opinião em relação a temas como CPMF e combate à homofobia. Marina afirmou que mudou de legenda, mas não mudou suas posições, e que votou contra (a CPMF) sim. "Tenho consciência sim. A CPMF é um processo que começou em 1993, com várias etapas. Me convenci que era melhor para a questão ambiental", disse.

Dilma rebateu, afirmando que não é possível confiar em quem muda de posição a todo instante, e que “não dá para improvisar” na Presidência da República. Marina retrucou: "Me lembro exatamente como votei. Não faço a oposição por oposição. Defendi a CPMF para o fundo de combate à pobreza."

Na sequência, Marina se dirigiu a Aécio Neves e criticou o apagão em 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Ela citou ainda a utilização termelétricas no governo Dilma e afirmou que é preciso diversificar a matriz energética. Aécio dirigiu suas críticas ao governo atual.

"Sabemos que a nossa matriz é hídrica. Há uma necessidade de diversificar essa matriz. Durante todo esse período não houve capacidade de planejamento. Houve um equívoco gravíssimo junto a Petrobras, que inviabilizou o etanol. Apenas com a reutilização do bagaço serviria para uma Belo Monte", afirmou. Marina retrucou afirmando que não houve planejamento nos dois governos.

>> Em confronto com Luciana Genro, Levy Fidelix ataca gays

Marina perguntou a Dilma  sobre a política de desvalorização do etanol, destacando que cerca de 70 usinas foram fechadas durante o seu governo e que 60 mil ficaram desempregados no setor. Dilma respondeu afirmando: "A política foi baseada com aquilo que você é contra: o subsídio. E financiamento de PIS e Cofins. Temos um conjunto de medidas para fortalecer o setor."

Nos dois primeiros blocos, Dilma pediu três direitos de resposta, e foi atendida em um deles, respondendo sobre medidas do governo contra corrupção:

"Uma coisa tem que ficar clara: quem demitiu o Paulo Roberto (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso na Operação Lava-Jato) fui eu. E a Polícia Federal, no meu governo, foi quem investigou todo esses ilícitos. Eu fui a única candidata que apresentou propostas para o combate da corrupção."

Pastor Everaldo também perguntou a Levy Fidelix sobre as denúncias envolvendo a Petrobras: "Dilma disse que não tinha ideia do que estava acontecendo. O senhor acha que ela não tinha ideia mesmo?"

O candidato do PRTB respondeu que acredita que a presidente “não tem a menor ideia disso (escândalo da Petrobras), como de outras coisas” e citou problemas no orçamento e gastos públicos.

Luciana Genro (PSOL) questionou Eduardo Jorge (PV) sobre seu sorriso ao perguntar o que ela faria “se ganhasse a eleição”. Depois, destacou que o candidato do PV já havia atuado em outros governos: "É difícil avançar nas pautas progressistas ao ver as alianças que tu e teu partido costumam fazer. O senhor foi secretário do Serra e do  Kassab.

"Luciana faltou à aula de história do século XX. O PV é um partido ambientalista, diferente dos partidos que são de esquerda de base marxista. Se tivermos que ajudar governo conservador ou de esquerda, vamos ajudar", retrucou Eduardo Jorge.

Na segunda rodada de perguntas, Dilma perguntou a Aécio Neves se ele se comprometeria em não privatizar a Petrobras. O tucano afirmou que iria “reestatizar a empresa” e falou sobre os escândalos na estatal. "Vou tirar esse grupo político que está há 12 anos. É vergonhoso. Expresso com a minha indignação a indignação de milhões de brasileiros. Não vejo nenhum momento a senhora ter indignação."

Luciana Genro pediu Marina Silva para explicar o que chama de “nova política”, afirmando que "a nova política da Marina é assim: ela recebe a pressão do agronegócio e cede.” A ambientalista defendeu que o conceito “não é um monopólio da esquerda ou da direita. Ela é praticada pela sociedade”.  

No último bloco, Dilma pediu o voto dos eleitores, afirmando ter mais experiência e apoio político, e por ter enfrentado uma crise internacional. Além disso, segundo ela,  tem "firmeza" para projetar o Brasil no cenário mundial. "Peço que você reflita sobre todas essas questões. Tenho certeza que você vai fazer a melhor escolha", pediu.

Marina Silva afirmou que criará escolas em tempo integral e se comprometeu com o fim da reeleição. Reiterou que quer "manter as conquistas e corrigir os erros". 

Já Aécio Neves garantiu que está preparado para controlar a inflação e retomar o crescimento. Segundo ele, o atual governo perdeu as condições de governar e Marina Silva ainda não reúne essas condições.

Pastor Everaldo se disse a favor da meritocracia, da liberdade da imprensa "sem marco regulatório" e criticou o "mar de corrupção". 

Eduardo Jorge afirmou que é o "candidato do coração" das pessoas. "Você tem que votar no que acha melhor, no que mais se identifica com vocês", afirmou.

Luciana Genro disse que é a "única candidatura de esquerda coerente". "Para que as bandeiras sejam vitoriosas, precisamos do seu voto", pediu a candidata.

Levy Fidélix declarou que não é "utópico" e que não vencerá as eleições. "Apenas me coloco para 2018 como investimento, tá?", afirmou.