'El País': Liderança de Dilma faz corrida presidencial parecer montanha-russa

Jornal espanhol lembra que até pouco tempo, Marina Silva liderava em pesquisas de opinião

O jornal espanhol El País comparou a corrida presidencial brasileira à uma montanha russa. De acordo com a matéria veiculada neste sábado (27), a última pesquisa sobre intenções de voto divulgada no Brasil revelou que a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, voltou a liderar a corrida com considerável distância dos demais candidatos. O jornal lembrou que no fim de agosto, a candidata Marina Silva (PSB) subiu 15 pontos nas intenções de voto de uma vez só e se tornou favorita ao cargo presidencial.

Um dos fatores que o El País acredita que ajudaram Marina a ter um crescimento tão expressivo teria sido o efeito surpresa. Marina Silva teria conseguido capitalizar com eficiência a comoção nacional após a morte do candidato titular do PSB, Eduardo Campos, em um acidente de avião. Marina teria alcançado a liderança ao defender, segundo a candidata, um novo modelo de fazer política. Contudo, em pesquisa recente, a candidata do PSB foi superada em 13 pontos pela atual presidente – o que representariam quase 15 milhões de votos. Em apenas uma semana, a presidente subiu seis pontos, indicando uma trajetória descendente para Marina e ascendente para Dilma, em uma montanha-russa eleitoral.

O jornal diz que especialistas acreditam que, caso essa tendência seja mantida Dilma poderia inclusive ganhar as eleições no primeiro turno, ou seja, nos próximos oito dias. O jornal lembra que, há apenas um mês, Dilma precisava lidar com uma certa impotência perante a subida galopante de Marina Silva. Nas pesquisas, o terceiro candidato, Aécio Neves (PSDB), apesar de um ligeiro crescimento nas intenções de voto, continua na mesma posição. De acordo com o jornal de Madrid, as eleições brasileiras continuam a ser um assunto a ser resolvido entre duas mulheres.

No início da corrida eleitoral de Marina Silva, o El País diz que muitos especialistas alertaram que o pior inimigo da candidata seria o tempo, visto que o fator surpresa teria beneficiado a candidata. O jornal diz que especialistas acreditavam já no começo da campanha da ex-ministra do Meio Ambiente que quando esse primeiro momento passasse, a máquina eleitoral petista iria minar a candidata. Dilma, por conta da lei e das alianças políticas do PT, possui, por exemplo 11 minutos de campanha televisiva, enquanto Marina e o PSB não alcançam nem três minutos.

Um dos argumentos de defesa de Dilma – além das recorrentes alusões às conquistas obtidas no seu governo – seria o de que, caso Marina ganhasse, muitos dos programas sociais obtidos pela administração do PT iriam desaparecer. Apesar de Marina ter se esforçado para desmentir isso, o jornal de Madrid diz que a mensagem de Dilma acabou tendo efeito, principalmente na chamada nova classe média brasileira – grupo econômico cuja preferência vem sido disputada pelas duas candidatas. Segundo o jornal, especialistas apontariam também para o fato de que o PSB é carente da estrutura e do aparato eleitoral que o partido concorrente, o PT, possui.

*Do programa de estágio JB