Líder na pesquisa Datafolha, Pezão é alvo de críticas dos adversários em debate

Candidato Pezão (PMDB) chegou a passar mal durante o primeiro bloco do debate na Record

A Record Rio promoveu na noite desta sexta-feira (26/9) o debate entre os candidatos ao governo do estado. Foram convidados os candidatos Anthony Garotinho (PR), Lindberg Farias (PT), Luiz Fernando Pezão (PMDB), Marcelo Crivella (PRB) e Tarcísio Motta (PSOL). O mediador foi o jornalista Gustavo Marques.

O principal alvo dos adversários no primeiro bloco foi o líder na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, o candidato à reeleição ao governo do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Durante o primeiro bloco do debate, Pezão se sentiu mal e foi amparado por sua equipe de campanha.  

Lindberg Farias perguntou sobre segurança pública ao ex-governador Anthony Garotinho, que  foi incisivo e destacou o crescimento das milícias no estado. Garotinho ironizou o candidato do governo, dizendo que "quem entende muito bem de milícia é o Pezão".

"No debate passado [da OAB], apresentei uma foto do Cabral, seu padrinho político, abraçado com milicianos de Campo Grande", afirmou Garotinho, que prosseguiu: "Vamos reestruturar a segurança pública no estado. Não vamos acabar com as UPPs, como o PMDB vem espalhando aí."

Candidato do PSOL, Tarcísio Motta, criticou os financiadores da campanha de Pezão. Pezão, por sua vez, retrucou afirmando que tem um comitê financeiro que recebe doações e presta conta. "Todas as doações estão no site do TSE. Se o senhor teve essa mesma vontade de saber e querer saber os fornecedores, é só ir no nosso site e ver. São doadores que acreditam no futuro do estado do Rio. Está disponível para o senhor e para todos os eleitores."

Garotinho dirigiu pergunta a Tarcísio Motta, afirmando que o preço da tarifa do ônibus está superfaturada de 20% a 40%.

"Estamos diante do caos na mobilidade em que o direito de vir e vir é negado de diversas formas. Um deles é o alto custo das tarifas. Temos nas barcas a segunda maior tarifa do mundo. O governo Cabral sempre se rendeu ao interesse das empreiteiras. Defendemos a tarifa zero", disse Tarcísio. 

Pezão, por sua vez, destacous realizações como a construção do Arco Metropolitano:

"Me orgulho de ter tirado o Arco Metropolitano do papel, obra que era pra ter sido feita desde 1971. O licenciamento demorou, mas eu e a presidente Dilma conseguimos entregar esse sonho." Na sequência, Crivella (PRB) retrucou afirmando que não dava para ter "euforia" sobre a economia do Rio.

Lindberg, por sua vez, prometeu o Ciep do século XXI: "Tenho falado de resgatar os Cieps, escola de horário integral, ensino técnico. Só 3% das escolas têm ensino técnico. Dá para chegar a 30%. O estado tem que trabalhar junto com as prefeituras. Tem um projeto que começou em Sobral, que é a alfabetização na idade certa."

Segundo bloco

Os candidatos responderam a perguntas de telespectadores no segundo bloco do debate. O candidato do PT, Lindberg Farias, foi questionado sobre o legado das Olimpíadas de 2016. Ele afirmou que é preciso “olhar como um todo o estado do Rio de Janeiro” para que todos aproveitem deste legado.

O candidato Marcelo Crivella foi questionado sobre a segurança pública. Ele lembrou que a UPP é uma "conquista" do Rio, e que não pode admitir que o povo viva em comunidades dominadas por bandidos. O candidato do PRB destacou que o governo precisa dar o bom exemplo:

"Um governo precisa ter mãos limpas, senão suja tudo. O Maracanã custou o dobro, polícia vira milícia. Se não tiver [mãos limpas], suja tudo. Se seus auxiliares saem em fotos de festas com guardanapos na cabeça. O fundamental na questão da segurança é a gente arrumar o estado de cima para baixo. De baixo para cima a gente não consegue."

Um eleitor da Baixada Fluminense perguntou a Pezão sobre a falta de remédios na Farmácia Popular. O candidato afirmou que vai implementar um projeto similar ao que levou a Piraí quando era prefeito. Pezão prometeu reforçar a parceria com o governo federal para melhorar a utilização dos hospitais federais, e reforçar programas como o Mais Médicos e as Clínicas da Família.

Garotinho foi questionado sobre as propostas para a educação. O ex-governador atacou a gestão de Pezão e Cabral. "Esse governo atual reduziu as coordenadorias de educação. Vamos dar o plano de cargos e salários que eles não deram. Prometeram, enganaram nossa população. Vamos fazer com que nossas escolas abram nos finais de semana para fazer o projeto“Escola de Pais, para integrar toda a comunidade, onde se possa praticar arte, cultura, esporte."

O candidato Tarcísio Motta foi perguntado sobre o transporte no estado na Baixada Fluminense. Ele afirmou que vai melhorar o serviço de trens, principalmente para a Baixada. O candidato ainda defendeu mais investimento no transporte de massa, além de pensar em alternativas para o transporte alternativo. Tarcísio também falou em investir no transporte para a Região dos Lagos.

Terceiro bloco

Candidatos fizeram perguntas aos adversários, por ordem de sorteio, com direito a réplíca e tréplica. O candidato Garotinho, primeiro sorteado, atacou as organizações Globo, afirmando que a emissora comprou uma procuração falsa, lembrando que a empresa seria uma das grandes patrocinadora da campanha de Luiz Fernando Pezão, que ele escolheu para responder a sua pergunta. "O que o senhor acha de uma empresa que compra procuração falsa, candidato. O que o senhor diria dessa empresa?", questionou Garotinho. "Esse tipo de pergunta deve ser respondido num fórum competente e não num debate como este", retrucou Pezão. 

Perguntado por Pezão sobre os benefícios das obras do Arco Metropolitano inaugurado recentemente no seu governo, o candidato do PSOL, Tarcísio Motta disse que o mais importante é saber para quem servirá os investimentos. Tarcísio lembrou que o governo Cabral/Pezão destinou R$ 229 milhões para empresas do ramo automobilístico que geraram poucos empregos, ao passo que o mesmo valor poderia ser revertido para projetos na área da cultura. "O governo Cabral sempre foi generoso com as empreiteiras. (...) Pezão só fala das empresas, precisamos falar daquilo que vai beneficiar o cidadão", ressaltou o candidato do PSOL.

Na sua pergunta para o candidato do PT, Lindberg Farias, Tarcísio focou no setor de Meio Ambiente, questionando parcerias que o PT firmou com o PMDB que resultaram em licenças ambientais criticadas por ambientalistas. Lindberg enfatizou que o governo da presidente Dilma Rousseff "abriu os cofres" para o PMDB no Rio, mas os seus governantes não souberam aproveitar os recursos, enfocando o sucateamento nas áreas da saúde e transportes. O ex-secretário Estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc (PT), foi citado por Lindberg como uma representação do seu partido que promoveu avanços no setor durante o governo Cabral. 

Marcelo Crivella, respondendo à Lindberg sobre o tema saúde, pediu ao telespectador para não confiar nas milionárias propagandas do governo estadual, porque há muitas pessoas morrendo nas filas de espera por cirurgias. "Vidas estão sendo ceifadas por um governo que não tem responsabilidade", disse. Crivella chamou de "vergonhosa" a relação do governo estadual com empresas privadas, citando as denúncias da Revista Veja, envolvendo os nomes do presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Paulo Mello, do mesmo partido.

Anthony Garotinho, ainda comentando o tema saúde, afirmou que o Hospital Geral de Nova Iguaçu - Hospital da Posse - não recebeu investimentos da gestão do PMDB e, atualmente, "é um matadouro". Segundo o candidato do PR, várias unidades de saúde da Baixada Fluminense foram fechadas ou destinadas para áreas especializadas, deixando a população sem atendimento emergencial. "Isso porque as verbas que seria para a saúde foram desviadas para as empresas privadas", acusou Garotinho, prometendo maiores investimentos para o setor na região. "E o governo Cabral ainda chamou os médicos de vagabundos, ao invés de abrir concurso público e novos postos de trabalho", disse.

Quarto bloco

Candidatos deram continuidade as rodadas de perguntas entre eles, também por ordem de sorteio. Tarcísio Motta questionou Pezão sobre a permanência do secretário Estadual de Transportes, Júlio Lopes, após a instalação "de um verdadeiro caos no trânsito do Rio" e do episódio do secretário aparecer rindo durante uma pane no sistema da SuperVia, que deixou os trabalhadores por horas sem o serviço. Pezão alegou que herdou o setor já sucateado do governo Marcelo Allencar e, no entanto, investiu o máximo possível nos modais: trens, metrô, barcas. "O seu governo deu chicotadas na SuperVia, acabou com os bondinhos de Santa Teresa, instaurou um caos no trânsito. Foram oito anos sem investimentos", retrucou Tarcísio, na sua réplica.

Lindberg Farias relembrou o candidato Anthony Garotinho das suas parcerias com Pezão e com o seu partido. "O passado pertence ao passado. Graças a Deus me livrei deles", comentou Garotinho, se referindo ao seu desligamento do PMDB. "Quando eu confiei no Pezão ele não estava envolvido com essa curriola. Ele ainda pensava no cidadão. Pezão é passado, vamos olhar para frente", acrescentou o candidato do PR. 

Abordando o tema mobilidade urbana, Tarcísio Motta disse que a completa falta de compromisso do atual governo com a moradia, promoveu uma política de exclusão. Ele citou o programa Porto Maravilha, considerando que apenas as empresas privadas tiveram vantagens nesse projeto. O candidato ressaltou também que os moradores que foram desapropriados pelos governos estadual e municipal em áreas públicas, não estão recebendo o aluguel social. 

Quinto bloco

Nesse bloco os candidatos foram sorteados para responder a temas pré-estabelecidos pela organização do debate. Lindberg Farias e Pezão responderam sobre saúde. O candidato do PT perguntou ao seu adversário quanto a política das OSs (Organizações Sociais) adotada pela atual gestão. Segundo Pezão, são as OSs que estão permitindo os avanços no setor. Na sua réplica, Lindberg disparou contra Pezão que há negociatas sendo feitas através das OSs e o governo está nas mãos de grandes empresários. 

Tarcísio, respondendo Pezão no tema Olimpíadas, considerou que o governo cometeu um "absurdo" com as obras do Maracanã para a Copa do Mundo, que privilegiou a Odebrecht, principalmente. Para Tarcísio, outros complexos esportivos foram esquecidos em detrimento dos investimentos destinados à Odebrecht. "Assim governador, vamos perder de novo de 7 a 1 nas Olimpíadas, com essa política que a população reprova", criticou o candidato do PSOL.

Outro embate aconteceu no tema segurança, entre Garotinho e Crivella. O candidato do PR garantiu que no seu governo a PEC 300, que beneficia o policial militar e bombeiros, será aprovada. Marcelo Crivella rebateu: "eu não vou me comprometer com nada que depois não posso cumprir", disse o candidato, ressaltando que a aprovação da PEC 300 depende da aprovação no Congresso. 

O tema educação fechou a rodada de perguntas. O candidato Lindberg Farias novamente criticou o governo Cabral /Pezão, afirmando que há uma política equivocada de educação, que favorece o "extermínio de jovens negros em áreas menos favorecidas". Para Lindberg, o caminho é investir em educação e cultura para mudar a realidade na segurança pública.