"Estou chocado", diz Lindberg sobre denúncia envolvendo enteado de Pezão e Delta

O candidato à sucessão ao governo do Rio de Janeiro pelo PT, Lindberg Farias, disse estar "chocado" com as denúncias publicadas nesta sexta-feira (26/9) na edição eletrônica da Revista Veja, revelando que o enteado do governador e também candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão (PMDB), tem contratos com a empreiteira Delta, investigada por fraudes pela Polícia Federal. O depoimento de Lindberg foi antes do debate eleitoral promovido pela TV Record com os cinco principais postulantes no estado.

"É uma bomba nessa eleição, acho que o candidato Pezão vai ter que responder sobre isso. É um fato seríssimo. A Delta foi considerada inedônea, a Justiça estabeleceu que ninguém fizesse contrato com ela e o governo do estado continuou fazendo", disse Lindberg. O candidato acrescentou que tinha uma pergunta para fazer a Pezão, sobre os motivos da gestão Cabral manter o contrato com a Delta, destinando R$ 300 milhões à empreiteira e contrariando as ordens judiciais. "Inadmissível a empresa envolvida na farra do guardanapo. Pezão terá que explicar", enfatizou Lindberg.

O confronto aconteceu com os candidatos Anthony Garotinho (PR), Lindberg Farias (PT), Luiz Fernando Pezão (PMDB), Marcelo Crivella (PRB) e Tarcísio Motta (PSOL). Antes de entrar no estúdio, Lindberg Farias conversou com os jornalistas e comentou sobre a reportagem da Revista Veja. Para o candidato, os novos fatos acerca do governador Pezão e seu enteado podem mudar o cenário eleitoral na reta final. 

De acordo com a publicação, Roberto Horta, enteado de Pezão, é um dos advogados contratados pela empreiteira Delta, investigada pela Polícia Federal por fraudes e supostos favorecimentos e desvios de recursos do governo estadual, durante o período da gestão de Sérgio Cabral (PMDB). A reportagem com o título "Pezão ou Paizão" ressalta que Horta, com 33 anos, está iniciando no mercado e a sua relação é muito boa com o governador, que o chama de filho deste a infância. 

O governador Pezão confirmou que o escritório de Horta teve contrato com a Delta em 2010 ou 2011, na área trabalhista, mas negou que o enteado, atualmente, tenha qualquer ligação profissional com a empreiteira. "Ele é um profissional liberal, bem sucedido, não há nenhuma lei no Brasil que não permita ele prestar serviço que não seja em ações contra o Estado", alegou Pezão.