A divulgação de novos exames oftalmológicos do caminhoneiro José Machado reabriu a polêmica entre a campanha do petista Fernando Haddad e a prefeitura de São Paulo, em particular com o atual prefeito Gilberto Kassab e o candidato José Serra, do PSDB, que tem seu apoio. Na tarde desta quinta-feira, Haddad comentou os resultados que confirmaram, segundo jornal O Estado de S. Paulo, que o caminhoneiro tem catarata, como afirmava o programa do PT - e havia sido negado pela prefeitura. O petista ainda afirmou que Kassab peça desculpas a Machado.
"A prefeitura mobilizou a máquina, quebrou o sigilo médico e caluniou o usuário. (...)", analisou Haddad, durante visita a prédios abandonados no centro de São Paulo. Segundo o petista, o ato é uma "falta de princípios éticos e morais com terceiros". Ele ainda afirmou que "a Justiça que vai dizer se houve má fé ou engano". O candidato do PT disse ainda: "sempre confio no cidadão. Quando aquele senhor nos procurou para comentar seu caso, queria voltar a trabalhar e estava pendurado na porta do Estado".
Em propaganda do horário eleitoral do PT, o caminhoneiro José Machado, diagnosticado com catarata, reclamava aguardar há dois anos por uma solução do sistema público. A prefeitura acessou os dados do paciente e negou a afirmação (o problema foi anunciado como pterígio), o que teria configurado quebra de sigilo médico.
Serra e o prefeito Kassab também contestaram o tempo informado por Machado. Um exame realizado pelo Instituto Cema, conveniado à Prefeitura, constatou nesta quinta que José Machado tem catarata, como afirmava o paciente e o PT, e também pterígio.
Após isso, Haddad ainda se referiu a Kassab e falou em nome do caminhoneiro: "o mínimo que se espera é que ele (prefeito) faça um pedido de desculpas a uma pessoa humilde, que não tem dinheiro para contratar um advogado e enfrentar a força dele".
Há duas semanas, Kassab se recusou a comentar o procedimento da prefeitura ao acessar os dados do caminhoneiro ao dizer que era uma "questão técnica". E afirmou que "a prefeitura conhece os limites da ética".