Candidato, Compadre Washington diz que povo se deu mal com Tiririca 

Após ter ficado conhecido dos brasileiros por cantar os hits da banda de axé É o Tchan, Washington Luiz Silva Santos, ou melhor, o Compadre Washington, resolveu testar sua popularidade nas urnas. O músico baiano, que concorre a vereador em Salvador, rejeita ser comparado ao palhaço Tiririca (PR-SP), que em 2010 elegeu-se o deputado mais votado do Brasil após fazer piadas com os eleitores na propaganda eleitoral, mas diz que se sente inspirado pelo artista.

"Pelo que eu soube, as pessoas votaram no Tiririca por protesto, para virar tudo uma bagunça. Sinto que comigo é diferente, as pessoas me param na rua para saber minhas propostas. Tenho equipe técnica, projetos, tenho todo um suporte. Mas eu sempre digo que as pessoas que votaram no Tiririca se deram muito mal, porque ao contrário do que pensavam, ele está fazendo bonito, um bom trabalho, dando o troco para quem não acreditou na capacidade dele", diz o candidato, que concorre pelo PSL.

Embora afirme que sua campanha é propositiva e que não quer "fazer piada" com o eleitor, o número escolhido por Compadre Washington é o 17171 - que remete ao número do artigo que representa o estelionato no Código Penal brasileiro "171". "Isso não foi intencional. Esse número ficou reservado para mim faz oito anos, quando me filiei ao PSL. Naquela época eu nem sabia dessa relação com o Código Penal. Gostei do número porque o 71 lembra o código de telefone (DDD) de Salvador", afirma.

Outro fato que causou polêmica na campanha do fundador da banda que teve como dançarinas Carla Perez, Scheila Carvalho e Sheila Mello, foi a foto utilizada para representá-lo no site do TSE logo no início da campanha - uma imagem de um personagem similar ao desenho South Park. O músico responde que a decisão de utilizar o boneco partiu do partido, já que ele não havia feito nenhuma foto de campanha. "Já substituímos a imagem e está tudo certo agora", justifica.

Com um gasto estimado de R$ 3 milhões, segundo informações disponibilizadas pelo TSE, Washington diz que a campanha é feita na rua, distribuindo santinhos com a ajuda dos amigos. "Esse gasto é só uma estimativa, não tenho esse dinheiro todo", afirma o candidato que diz levar uma vida modesta com o dinheiro que ganha com os shows do É o Tchan - a banda retomou atividades recentemente. Ele ainda nega os boatos de que a candidatura seja o fim definitivo do grupo que ajudou a fundar e diz que pretende conciliar as agendas.

Propostas

Ao afirmar que o palhaço eleito deputado pelos paulistas tem bons projetos na Câmara dos Deputados, Compadre Washington ainda diz que não entrou para a política para ser mais um, e sim para melhorar Salvador. Ele cita propostas na área de educação e cultura, como a ideia de disponibilizar um estúdio móvel - montado em um ônibus - para que os artistas da periferia possam gravar suas músicas. Outra ideia é criar uma espécie de Casa dos Artistas, seguindo o modelo adotado no Rio de Janeiro, para abrigar artistas que não têm mais família, garantindo moradia, saúde e lazer.

"Não vou prometer o que eu não posso cumprir, mas vou lutar para melhorar a cidade. Pra Salvador melhorar é tududududupá", afirma bem-humorado, ao citar o bordão utilizado na propaganda no rádio e na TV. A conversa só fica mais séria quando o assunto é o número de votos na eleição. "O Tiririca fez muito voto, mas não me comparo a ele. Está nas mãos de Deus, como se diz, é uma urna de surpresas", completa o músico, que é uma das apostas do PSL para puxar votos na disputa pelas 43 vagas na Câmara de Salvador.