Considerado uma oportunidade para que os candidatos à prefeitura do Rio apresentassem mais detalhadamente suas propostas ao eleitor, o primeiro debate em TV aberta, promovido pela Band, se transformou em uma revisão da gestão de Eduardo Paes (PMDB). Marcelo Freixo (PSOL), Otavio Leite (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM) se esforçaram em criticar o que afirmavam ser falhas da atual prefeitura e expor alternativas, enquanto o prefeito exaltava seus feitos no cargo e, ao contrário do que era esperado, a aliança com o governador Sérgio Cabral, cada vez mais afetado pelas denúncias contra a empreiteira Delta. Aspásia Camargo (PV) adotou um tom mais conciliador e por vezes mostrou afinidade com o governo, contrariando os adversários.
O primeiro ataque mais contundente contra Paes veio de Rodrigo Maia. Após o prefeito afirmar que havia reorganizado os ambulantes, o democrata retrucou, dizendo que, na verdade, "os camelôs foram perseguidos". Ele ainda criticou a falta de fiscalização às empresas de ônibus.
O clima tornou-se um pouco mais acirrado no segundo bloco, quando os candidatos puderam fazer perguntas entre si. Protagonizando o que viria a se mostrar uma "tabelinha" contra Paes, Rodrigo Maia perguntou para Freixo sobre milícias. O deputado estadual, que ganhou notoriedade ao presidir uma CPI na Alerj sobre o tema, fez duras críticas à atuação da administração municipal, que não coibiria a ação dessas organizações criminosas no transporte alternativo, na distribuição de sinais clandestinos de TV por assinatura e na agiotagem. Ele ainda alfinetou Paes, dizendo que a milícia "ajudou a eleger muitos prefeitos" e lembrou que polítcos já tinham ido à TV elogiar esse tipo de quadrilha - uma clara menção a um vídeo em que Paes, na época candidato a governador, diz que "a polícia mineira trouxe tranquilidade para a população".
Logo em seguida, Freixo perguntou porque Paes privilegiava o modelo rodoviário nos transportes e não se opunha ao trajeto da Linha 4 do metrô. Seguindo com a estratégia de capitalizar suas realizações, o prefeito lembrou que fez a licitação das linhas de ônibus, instaurou o bilhete único e construiu o BRT da Transoeste, que chamou de "transporte de alta capacidade". Freixo, então, o ironizou:
"Parece que o silêncio sobre o metrô vai continuar", instigou, lembrando, em seguida, que políticos do PMDB "viajam muito para Paris e Londres", onde o metrô funciona bem. E citou um documento do Tribunal de Contas do município em que seriam apontados indícos de formação de cartel na licitação dos ônibus. Paes defendeu-se, dizendo que "prefeito não é comentarista" e que apoiava a expansão do metrô proposta por Cabral.
Na contramão dos demais candidatos, Aspásia exaltou a "parceria feliz" com a prefeitura para a implantação de legislação ambiental e elogiou a Central de Tratamento de Resíduos de Seropédica, solução adotada pela atual gestão para substituir o aterro de Gramacho.
Rodrigo Maia voltou à carga, dizendo que a saúde no Rio foi privatizada e que, se eleito, valorizaria o servidor público. Otavio Leite também atacou, ao questionar a demolição do Elevado da Perimetral. Ele classificou a ideia como "absurda" e afirmou que a alternativa era "absolutamente inconsistente".
A dobradinha entre Maia e Freixo ficou explícita no terceiro bloco. Novamente o demista teve a oportunidade de fazer uma pergunta a qualquer candidato. Em vez de interpelar diretamente Paes, novamente optou por "levantar a bola" para Freixo. Dessa vez os dois trataram dos gastos em publicidade do atual governo.
O último ponto de maior relevância na fala dos candidatos foi de Paes. Ele criticou por diversas vezes as "gestões anteriores", em referência aos três governos de Cesar Maia, pai e mentor político de Rodrigo. Interpelado por um eleitor sobre a possibilidade de expandir a bilhetagem eletrônica para o transporte alternativo, prometeu que a medida seria adotada, mas que "isso só é possível porque fizemos o Bilhete Único".