Jeitinho dribla falta de notas

O fechamento de agências, a digitalização acelerada e o uso dos caixas eletrônicos custaram o emprego de 40 mil bancários desde 2016. A ânsia de lucros dos grandes bancos ignora os rincões do país, mas também o baixo grau de instrução dos moradores das grandes cidades, que mal sabem usar os caixas ou não encontram notas para suas necessidades.

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No Rio de Janeiro, notas pequenas são raridade. No centro da cidade, só agências da Caixa Econômica e do Itaú oferecem cédulas de R$ 2 e R$ 5. No Banco do Brasil, a oferta começa em R$ 10. No Bradesco não se pode escolher os valores e no Santander, quase sempre, os saques estão limitados a notas de R$ 50 e R$ 100. A escassez de notas baixas impõe dificuldades ao comércio. Lojas médias e grandes recorrem a conchavos com gerentes de agências próximas, enquanto o comércio informal tem circulação própria.

Katia Rodrigues, dona de uma barraca de tapioca no Largo da Carioca,  normalmente dá troco com notas de R$ 2. O ‘Mineiro do Cuscuz’, seu vizinho, precisa de notas um pouco mais altas. À reportagem, ele mostrou  com orgulho um bolo de notas de R$ 2, uma raridade mesmo no centro da cidade. O intercâmbio acontece religiosamente todos os dias.

Se no centro comercial da segunda maior cidade do país já é difícil, nos bairros é ainda pior. Daniele Amanda, do Catumbi, se queixa da espera por troco sempre que vai às compras. A última vez foi supermercado Big Market, onde a compra de R$ 228 ficou sem troco. Os lojistas rechaçam a culpa. Eli Braga, dona de pizzaria em São João de Meriti, reclama. “As pessoas só pagam pizzas que custam entre R$ 20 e R$ 30 com notas de R$ 50 ou R$ 100”, conta. Nem sempre temos troco. A depender do cliente, adiamos o troco ou recebemos depois. A saída é o cartão de crédito, cujos repasses só chegam 15 dias depois. “Não temos capital de giro. Sempre dependemos do fluxo do dia anterior”, explica Braga, uma refém do conforto dos bancos atrás do balcão.