Dólar tem nova alta e bate em R$ 3,80 em dia sem intervenção do BC

O Banco Central resolveu não intervir no mercado de câmbio nesta terça-feira, 26, e, após renovar máximas, o dólar bateu em R$ 3,80 perto do fechamento, acompanhando o movimento de alta generalizada da moeda norte-americana nesta data no mundo, por conta das discussões comerciais entre os Estados Unidos e a China. Nesta terça, o presidente Donald Trump declarou que não pretende adotar restrições para os investimentos chineses em empresas nos EUA.

O dólar à vista subiu 0,57% e terminou em R$ 3,7981, o nível mais alto desde o último dia 14.

Operadores de câmbio ressaltam que a falta de ação do BC nesta terça no mercado provocou certa ansiedade nas mesas de operação no final da tarde, o que ajudou a pressionar um pouco as cotações, com a expectativa dos agentes pelos próximos passos do BC.

Dias sem intervenção no câmbio têm sido raridade nas últimas semanas. O BC tem feito ao menos um leilão de swap extraordinário por dia e, na segunda-feira, 25, fez o primeiro leilão de linha desde março, que, dos US$ 3 bilhões ofertados, colocou em US$ 500 milhões no mercado à vista, uma sinalização de fraca demanda por dólar pronto, mas que ajudou a acalmar os investidores.

"O BC tem tido atuação firme", afirma o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello. Por isso, ele ressalta que a falta de atuação nesta terça acaba gerando expectativa entre os agentes do que pode vir pela frente.

O dólar abriu a terça-feira em alta, mas passou a cair após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizar que a taxa básica de juro não deve subir por enquanto. "A ata do Copom reforçou expectativa de manutenção da Selic nas próximas reuniões", destacam os economistas do Bradesco.

Essa avaliação provocou queda nos juros futuros e acalmou o dólar, que passou a oscilar perto da estabilidade até o começo da tarde. Em seguida, a moeda norte-americana voltou a subir acompanhando a alta generalizada do dólar nesta terça no mundo.

Na questão comercial, o presidente da regional de Atlanta do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Raphael Bostic, engrossou o coro das autoridades que alertam para os riscos de uma escalada dos conflitos e disse nesta terça que uma guerra comercial dos EUA com a China pode ter impactos "dolorosos" na economia norte-americana. "A questão do comércio nos dá incerteza."