Tesouro Direto vive dias de volatilidade

Nos últimos 30 dias, o Tesouro Direto teve emoção digna de Bolsa de Valores. As turbulências, tanto no cenário externo como no interno, mexeram com os preços dos títulos a ponto de o Tesouro interromper as negociações da plataforma quase que diariamente. Nesse período, foram nada menos que 29 suspensões - preocupando investidores que precisavam resgatar recursos ou que simplesmente viam seus títulos se desvalorizarem. 

As suspensões por volatilidade - o Tesouro pode interromper as negociações por outros motivos, como manutenção técnica - tiveram início no dia 17 de maio, depois de o Banco Central surpreender o mercado com a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano. Logo depois veio a greve dos caminhoneiros, somada às tensões no mercado externo - que levaram à disparada do dólar. Esse “pacote” piorou a percepção de risco do País e derrubou o preço dos títulos públicos prefixados e dos indexados à inflação.

 Diante da oscilação, o Tesouro Direto congela: suspende temporariamente as negociações. Em maio e junho, essas “travas” foram recorrentes. Para efeito comparativo, em todo o ano de 2017, só houve interrupção de compra e venda de títulos por volatilidade em seis dias - sendo um deles no dia seguinte à divulgação da gravação de Joesley Batista, da JBS, dia em que o Tesouro nem abriu. “As pessoas podem até ficar preocupadas, mas a suspensão é uma medida positiva para ajustar o preço e as taxas dos títulos. Ou seja: para que quem compre e venda o faça a um preço justo de mercado”, explica Fábio Macedo, gerente comercial da corretora Easynvest. Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, destaca também uma questão técnica. 

“Os preços do Tesouro Direto são atualizados só três vezes ao dia - às 9h30, 12h e 15h30 - , e não instantaneamente, conforme a oferta e demanda”, diz. “A suspensão é para evitar que ele compre caro demais, por exemplo.” A preocupação do investidor com as suspensões recai principalmente sobre a liquidez diária, ou seja, a capacidade de transformar o investimento em dinheiro no bolso rapidamente - que é um dos principais chamarizes do Tesouro Direto (veja a cronologia). “Independentemente de haver suspensão, após o fechamento do mercado, às 18 horas, o investidor sempre pode comprar ou resgatar”, explica Sergio Gesteira, gerente da mesa de operações do Tesouro Nacional. “A diferença é que a liquidação será feita no D+1, ou seja, no preço do dia seguinte.” Isso significa que a operação fica sujeita aos preços e taxas da abertura do mercado no dia seguinte. Macedo, da Easynvest, lembra que o investidor também pode agendar as aplicações - embora também fique sujeito ao preço de abertura.