'WSJ': Juros baixos leva bancos centrais a optar por investimentos de risco

Matéria publicada nesta terça-feira (24) pelo The Wall Street Journal aponta que ao manter as taxas de juros baixas e, em alguns casos, negativas, bancos centrais de países desenvolvidos estão levando alguns dos investidores mais conservadores do mundo a entrar na corrida por maiores retornos: outros bancos centrais. Bancos centrais de países que vão da Suíça à África do Sul estão investindo uma parcela maior de suas crescentes reservas cambiais em ações, títulos de dívida de empresas e outros ativos considerados mais arriscados.

O Journal afirma que se afastar da prática tradicional dos bancos centrais de investir principalmente em títulos governamentais extremamente seguros, como as notas do Tesouro dos Estados Unidos, significa assumir mais riscos. Mas em um momento em que o crescimento global, as taxas de juros e os rendimentos potenciais de muitos ativos estão baixos, muitos bancos centrais estão se concentrando cada vez mais em maximizar os retornos de investimentos.

> > The Wall Street Journal Central Banks Embrace Risk in Era of Low Rates

De acordo com o diário norte-americano a mudança tem implicações significativas para os mercados e a economia global, dizem analistas. Muitos bancos centrais estão contratando gestores externos para cuidar dos ativos não tradicionais em suas carteiras, apresentando uma oportunidade para uma indústria financeira que enfrenta estagnação no crescimento das receitas. Ao mesmo tempo, diante dos esforços para investir fundos de reserva de forma mais ampla, mais mercados estarão sujeitos ao que alguns críticos descrevem como distorção do banco central, já que há o risco de grandes compradores e muitas vezes insensíveis aos preços como os BCs elevar as cotações e reduzir os retornos futuros para outros participantes no mercado.

O noticiário acrescenta que investidores, analistas e formuladores de políticas há muito debatem o impacto das compras de bancos centrais e gestores de reservas da China, Japão e alguns grandes exportadores de petróleo no mercado de US$ 13 trilhões do Tesouro americano. Outros estão se concentrando no impacto potencial das negociações em mercados menores, como o de câmbio da Austrália e da Nova Zelândia, para onde os bancos centrais vêm se expandido recentemente, segundo investidores.

Alguns mercados simplesmente não são “profundos o suficiente para acomodar esses investimentos grandes”, diz Martin Keil, diretor de mercados de crescimento da gestora Allianz Global Investors.

As reservas globais de moedas cresceram nos últimos 15 anos, refletindo em parte as lições de crises de mercados emergentes do passado, quando alguns países foram forçados a desvalorizar suas moedas quando o mercado se voltou contra eles. Reservas maiores aumentam a pressão sobre os gestores dos bancos centrais para diversificá-las.

No terceiro trimestre de 2016, as reservas mundiais de divisas totalizavam US$ 11 trilhões, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, em comparação com US$ 1,4 trilhão no fim de 1995, finaliza The Wall Street Journal.