Redução da Selic é passo na recuperação econômica e volta dos investimentos, afirmam analistas

Copom vai anunciar na quarta-feira a taxa básica de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vai anunciar nesta quarta-feira (11) a taxa básica de juros da economia, a Selic, para os próximos 45 dias. A reunião, que começa nesta terça, deve anunciar a redução da taxa, que atualmente é de 13,75% ao ano. A redução deve ser de 0,75%.

Para o professor de Finanças do curso de Administração da UFF, Ivando Silva de Farias, a significativa redução na taxa Selic pode atrair investimentos para o país. “No ano de 2016 houve um choque na taxa de juros, que foi bem alta. O objetivo das reduções agora é atrair o investimento, além de gerar previsibilidade para o mercado, algo que a economia brasileira não tem”, observou. “Mas também precisamos de previsibilidade política e moral para atrair os investimentos.”

O professor Ivando demonstrou otimismo sobre a possível redução da Selic. “Essa redução pode acarretar em um crescimento do PIB maior do que o esperado, em torno de 1%. O BC, para mim, tem cumprido seu papel”, afirmou. 

Já para o presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, a redução deveria estar sendo implementada há mais tempo. “Essa redução deveria estar acontecendo desde o período do governo Dilma Rousseff. No Conselho Federal temos criticado muito o BC, que tem sido um dos causadores da crise econômica.”

Para Miragaya, desde a época do governo Dilma as reduções já deveriam estar sendo entre 0,75% e 1%, o que impulsionaria o crescimento na produção. No entanto, na visão dele, “foi um passo tímido na direção correta”.

Sobre a opinião de que uma redução mais alta da taxa de juros possa acarretar em um nível maior da inflação, o professor Ivando explica que este é um temor exagerado. “A redução da taxa não deve acarretar em aumento da inflação. Devido à crise, temos um grande volume ocioso nas indústrias. A produção tem condições de aumentar para compensar o aumento da demanda gerado pela redução de juros”, afirmou.

“Temos dois ambientes na economia: o financeiro e o real. O real é a questão da geração de emprego, poder de compra… Coisas que são afetadas positivamente com a redução. Já a taxa de juros alta favorece o financeiro. Essa migração do financeiro para o real é mais intensa quanto maior for o padrão de previsibilidade”, explicou Ivando.

Miragaya também não acredita em um cenário de aumento da inflação. Para ele, a redução da Selic vai proporcionar aos estados uma leve recuperação. “Pode aumentar a capacidade de endividamento e contratações dos estados, mas o ganho vai ser muito pequeno.”

O professor Ivando também não crê em grandes consequências dessa redução no âmbito do pagamento de taxa de juros das dívidas dos estados. “Não tem muito efeito. A Selic tem mais impacto na dívida pública. Cada ponto da Selic equivale a cerca de R$ 20 bilhões na economia. Para o orçamento público vai surtir um efeito positivo, mas o que pode fazer bem aos estados é o ‘acordão’ feito pelo governo", concluiu o professor da UFF.

Diante da recessão econômica e da melhora na inflação, o BC tem sinalizado que pode intensificar o corte da taxa básica. Nas duas últimas decisões, o comitê cortou a Selic em 0,25 ponto percentual.

A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação.