Acordo da Opep para reduzir a produção faz disparar os preços do petróleo

O cartel reduzirá a produção em 1,2 mbd até um total de 3,2 mdb

A Organização de Países Exportadores (Opep) fechou acordo nesta quarta-feira (30) para reduzir a produção de petróleo - o primeiro em oito anos -, e estimular a alta dos preços. A decisão foi aprovada durante a 171ª reunião da Opep, que ocorre em Viena, na Áustria.

O cartel reduzirá a produção em 1,2 mbd até um total de 3,2 mbd, afirmou o ministro do Petróleo do Catar, Mohammed Bin Saleh Al-Sada. Ele acrescentou que os principais produtores fora da Opep estão prontos para agir junto com o cartel e planejam reduzir provisoriamente sua produção. A Rússia já aceitou reduzir sua produção em 300.000 milhões de barris por dia (mbd). 

O ministro de Energia da Arábia Saudita Khalid al-Falih disse na manhã desta quarta que o país estava preparado para aceitar um grande impacto em seu ritmo de produção, e que concordava com o congelamento da produção do Irã nos níveis pré-sanções.

Os termos desse novo acordo já tinham sido estabelecidos em setembro, quando o grupo aprovou o chamado Acordo de Argel, estipulando um corte na produção e o teto entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris extraídos por dia (bpd). O foco do Acordo de Argel, segundo explicou hoje o presidente da conferência, o ministro da Energia e da Indústria do Qatar, Mohammed Bin Saleh Al-Sada, era “acelerar a retirada dos estoques, trazendo o reequilíbrio do mercado”.

Às 11h43, o preço do barril de Brent para fevereiro negociado na International Exchange Futures (ICE), em Londres, registrava avanço de 7,61%, a US$ 50,92. O barril de WTI para entrega em janeiro, negociado no New York Mercantile Exchange (Nymex), em Nova York, por sua vez, tinha valorização de 7,27%, a US$ 48,52.

Às 14h11, o barril de Brent teve alta de 8,14%, a US$ 51,17. Já o barril de WTI tinha alta de 7,87%, a US$ 48,79.

Na véspera, os contratos futuros dos barris de petróleo tinham fechado em baixa, após relatório do Goldman Sachs apontar que a produção de petróleo teria uma chance de apenas 30% de ser reduzida.

Nível de produção

Um grupo de trabalho foi criado para estudar e recomendar a implementação do nível adequado de produção pelos países membros, discutindo o tema inclusive com representantes dos países produtores que não integram a Opep. “Esses esforços exaustivos para construir um consenso entre todos os produtores têm sido vitais para o processo [de construção de um acordo]”, disse Al-Sada, comentando que limitar a produção de forma a “devolver uma estabilidade sustentável ao mercado” seria benéfico para as economias nacionais e mundial.

De acordo com Al-Sada, o Acordo de Argel vinha sendo capaz de deter “a deterioração dos preços”, até que, em 14 de novembro, os preços voltaram a baixar. “É vital que os estoques comecem a cair. Então os preços começarão a subir e a estabilidade retornará ao mercado. Todos os produtores compreendem a gravidade da situação e todos os consumidores também devem compreendê-la”, acrescentou o ministro, citando a perspectiva de a demanda mundial, em 2040, ultrapassar os 109 milhões de barris de petróleo diários – mais de três vezes o limite estabelecido hoje.

“Este crescimento exigirá investimentos significativos. Em geral, as necessidades estimadas de investimentos relacionados ao petróleo estão próximas de US$ 10 trilhões no período até 2040”, declarou Al-Sada, lembrando que, apesar das perspectivas otimistas para os produtores, os investimentos globais caíram entre 2015 e 2016 e especialistas afirmam que devem se manter nos atuais patamares por mais algum tempo.

Ontem, ao se reunir com os chefes das delegações dos 14 países membros que chegavam a Viena para participar do encontro, o secretário-geral da Opep, Mohammad Sanusi Barkindo, sinalizou com a possibilidade da entidade chegar a um acordo.

Segundo a assessoria da própria Opep, Barkindo e o ministro dos Recursos Petrolíferos da Nigéria, Emmanuel Ibe Kachikwu, discutiram a situação do mercado mundial de petróleo e a necessidade dos produtores enfrentarem o excesso de oferta para tentar “equilibrar o mercado”. Para ambos, “a inação poderia levar a um terceiro ano sem precedentes de subinvestimento no setor, potencialmente prejudicando a oferta futura”.

Criada em 1960, a Opep coordena a política petrolífera dos países membros, orientando a oferta de petróleo no mercado internacional, defendendo os interesses dos produtores sobre os preços. Atualmente, é integrada por 14 países membros: Angola; Arábia Saudita; Argélia; Emirados Arábes; Equador; Gabão; Qatar; Indonésia; Irã; Iraque; Kuwait; Líbia; Nigéria e Venezuela.

*com Agência Brasil