Matéria publicada nesta segunda-feira (10) pelo jornal norte-americano Washington Post conta que na semana passada em reunião global anual sobre finanças realizada em Washington o clima entre os ministros ali presentes era sombrio.
A reportagem aponta que o espectro da estagnação secular e o crescimento econômico insuficiente de um lado, e do outro o populismo ascendente e desintegração global tem causado apreensão generalizada. Ao contrário do que aconteceu em 2008 ou em 2011 e 2012, desta vez não havia nenhuma crise iminente. Ao invés disso, a preocupação generalizada era de que as idéias entre os líderes tradicionais estão perdendo sua aderência e a economia global está entrando em um território inexplorado e perigoso.
> > Washington Post The global economy has entered unexplored, dangerous territory
O Post destaca que a previsão de crescimento divulgada pelo Fundo Monetário Internacional foi novamente rebaixada após a reunião. Enquanto a recessão não cede em nenhuma região importante, já se espera que o crescimento das taxas desacelere perigosamente. Pior é a percepção de que os bancos centrais têm pouco lastro para socorrer as maiores economias do mundo.
O texto do Washington Post analisa que recessões costumam vir intermitentemente e imprevisivelmente. Para obter algum tipo de resultado positivo é necessário cortar ao menos 5 pontos percentuais nas taxas básicas, visando a oxigenação do mercado. Em nenhum lugar do mundo industrial os bancos centrais têm feito nada nem perto de quatro, mesmo tendo em conta os efeitos das políticas não convencionais, como a flexibilização quantitativa. As expectativas do mercado sugerem que é improvável ganhem muito espaço durante os próximos anos.
De acordo com o WP dificilmente veremos uma grande surpresa na economia enquanto o crescimento econômico diminuir ano após ano, e quando os seus beneficiários são um pequeno subconjunto da população. Olhando para trás, os traumas políticos de 1968, quando as pessoas estavam nas ruas em muitos países, é claro que havia algo acontecendo além das questões específicas como no Vietnã e nos Estados Unidos. Da mesma forma - com Brexit, a ascensão de Donald Trump e Bernie Sanders, a força dos nacionalistas de direita na Europa, a força de Vladimir Putin na Rússia, e o retorno do culto ao Mao na China - é difícil escapar à conclusão de que o mundo está vendo um renascimento do autoritarismo populista.