'Financial Times': Opep fecha acordo de corte na produção em Argel

Reportagem diz que preços podem subir mais de 6% com esta medida

Matéria publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal Financial Times afirma que alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo concordaram em cortar sua produção pela primeira vez em oito anos, visando um aumento de preços de mais de 6%. 

Segundo a reportagem o acordo surpreendeu os comerciantes de petróleo que pensavam que um consenso seria difícil de alcançar por causa das divisões entre Arábia Saudita e Irã, dois dos maiores e mais influentes membros da Opep. O petróleo tipo Brent saltou de $ 2,84 por barril para US $ 48,85.

O FT analisa que o impulso marca a primeira ação coordenada para reforçar os preços do petróleo que têm sufocado as finanças das economias produtoras desde o começo da queda dos preços do petróleo ha dois anos. A última vez que a Opep concordou em cortar a produção foi durante a crise financeira de 2008.

O jornal britânico aponta que esta também é uma mudança na estratégia da Arábia Saudita para manter a quota de mercado e colocar uma pressão maior sobre os produtores de alto custo, como perfuradores de xisto norte-americanos.

Mas a falta de detalhes sobre o quanto cada produtor irá limitar a produção vai levantar questões entre analistas de petróleo e outros observadores do mercado sobre a execução e sucesso de qualquer negócio para aliviar um mercado com excesso de oferta, acrescenta o Financial Times.

Arábia Saudita, Irã e outros ministros haviam dito antes da reunião que qualquer negociação seria informal, com o objetivo de chegar a um acordo ao longo dos próximos meses. Mas à medida que as discussões na quarta-feira (28) continuaram eles decidiram fazer uma reunião formal da Opep.

"Nós temos um negócio muito bom", disse o secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo. 

O acordo foi visto positivamente pelos mercados acionistas. O índice do setor de energia S & P 500 saltou 4,5 por cento, com os produtores de petróleo ConocoPhillips, indicando um aumento de 7 por cento, a ExxonMobil acima de 4.4 por cento e Chevron 3,2 por cento maior, finaliza o Financial Times.

Mohammed bin Saleh al-Sada, ministro da Energia do Qatar e presidente da Opep, disse depois que  "o reequilíbrio ia acontecer de qualquer maneira, mas precisávamos acelerar".

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