Matéria publicada nesta segunda-feira (12) pelo jornal argentino Clarín conta que Francisco Cabrera, ministro da Produção, disse em entrevista que essa aposta de reativação no fim de 2016 se baseia na ideia de que a recessão já chegou a seu ponto máximo e o governo acredita em uma melhoria rápida. Na visão oficial e de vários economistas, a saída da recessão virá junto com a melhoria das aposentadorias, com o pagamento da segunda parte dos aumentos dos convênios salariais e do efeito que a diminuição da inflação geraria. Cabrera colocou ênfase, além disso, no fato de que o crescimento da obra pública será a principal fonte de melhora do emprego e de que no Brasil a recessão teria atingido seu limite e a economia estaria começando a se recuperar.
Segundo a reportagem o ministro chegou a apostar que o Brasil irá revalorizar sua moeda e que isso irá favorecer as exportações industriais argentinas: 50% delas têm como destino o Brasil. Essencialmente, as exportações industriais para o Brasil são automóveis que, por sua vez, possuem um alto componente de peças brasileiras. Analisando as palavras de Cabrera seria possível inferir que a estratégia oficial para sair da recessão não difere muito das outras ensaiadas várias vezes na história recente: tentar expandir o consumo interno diante das urgências que a política marca para a economia. E, em outros termos, poderíamos arriscar que, se for assim, Alfonso Prat-Gay estaria ganhando de Federico Sturzenegger na luta para acelerar a diminuição da taxa de juros para tentar reativar. Lembremos que entre o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central surgiram diferenças em relação a se a inflação “já não é um ponto importante” ou se é necessário “ser prudente” e esperar até a baixa do processo inflacionário estar mais consolidada.
Clarín diz que o governo reiteradas vezes informou que baixar a inflação era o principal argumento a favor da reativação. Assim, Mauricio Macri confirmou a política de absorção de dinheiro e taxas altas que Sturzenegger aplicou no Banco Central (BC). Mas os tempos parecem estar mudando e a diminuição da inflação, que está ocorrendo, estaria dando lugar à necessidade de reativar a economia como uma das prioridades essenciais daqui até as eleições legislativas de 2017.
O jornal argentino argumenta que essa música de fundo também estaria dizendo que o governo tomou nota de outra coisa: a ideia de que um aumento dos investimentos compensaria a queda no consumo devido à desvalorização e que a diminuição do poder de compra do salário faria parte de uma teoria difícil de tornar realidade no curto prazo. O consumo representa cerca de 80% da economia e o resto, comércio exterior e investimentos, não chegaria a crescer o suficiente para compensar cinco anos de estagnação econômica. O BC evidentemente tomou nota e já faz quatro semanas consecutivas que reduz a taxa das letras, que agora estão em 27,75% anual para colocações a 35 dias. Os críticos de Sturzenegger dizem que essa taxa de 27,75% ainda é muito alta e muito favorável aos bancos diante de uma inflação projetada abaixo desse nível.
Enquanto isso, começam a ressurgir disputas típicas de tempos de recessão e outras ditadas pela política eleitoral. O comércio briga com os bancos para reduzir as comissões dos cartões de crédito de 3% para 1,5%. O Senado aparece e dobra a aposta tentando obter uma redução ainda maior para superar o governo. E este, por sua vez, propõe a necessidade de haver mais meios de pagamento para favorecer a concorrência, finaliza o Clarín.