'WSJ': Terrorismo abala setores de luxo e turismo na Europa

Matéria publicada nesta segunda-feira (25) pelo The Wall Street Journal conta que uma onda de ataques terroristas na Europa está afugentando turistas em pleno verão no Hemisfério Norte, período de alta temporada, e criando uma nuvem negra sobre cadeias de hotel, companhias aéreas e varejistas de luxo já às voltas com os efeitos da decisão do Reino Unido de sair da União Europeia. A queda nas reservas das companhias aéreas e dos hotéis tem se espalhado mesmo pelas cidades e países que não sofreram ataques recentemente, afirmam analistas e empresas. Isso aumenta a possibilidade de que a violência — combinada com uma economia fraca — pode ter um impacto econômico mais amplo e afetar empresas como Air France-KLM, AccorHotels SA e InterContinental Hotel Group PLC, que devem divulgar seus resultados trimestrais nas próximas duas semanas.

“A Europa não está fazendo a elas nenhum favor”, diz C. Patrick Scholes, diretor-gerente da firma americana de serviços financeiros SunTrust Robinson Humphrey Inc. “Tem tudo a ver com medo.”

A reportagem do Journal diz que uma confluência de fatores negativos está se abatendo sobre o setor do turismo na Europa. Os viajantes parecem mais cautelosos, após uma sequência de ataques — mais recentemente em Munique, na Alemanha, e em Nice, na França. O crescimento econômico em muitos países europeus está fraco, o que pesa no bolso de alguns consumidores. E a libra esterlina se desvalorizou em 8,6% em relação ao euro desde o referendo de 23 de junho no qual os britânicos decidiram deixar a UE, inflando os custos para os moradores do Reino Unido, o maior grupo de turistas internacionais do bloco, depois da Alemanha. Essas pressões têm derrubado as cotações das ações de várias empresas cujos negócios se concentram no turismo europeu e que divulgarão resultados nos próximos dias. As ações da empresa britânica de viagens Thomas Cook Group PLC, que vai divulgar o resultado do terceiro trimestre fiscal na quinta-feira, acumulam queda de 52% desde o início do ano. As da empresa aérea irlandesa de baixo custo Ryanair Holdings PLC, que apresenta hoje os dados do seu primeiro trimestre fiscal, recuaram 23%. Já as da International Consolidated Airlines Group SA, holding da British Airways, caíram 34%. Ela divulga o resultado do primeiro semestre na sexta-feira.

De acordo com o WSJ dados preliminares sobre as taxas de ocupação nos hotéis após o ataque em Nice, em 14 de julho, em que um homem dirigindo um caminhão matou 84 pessoas, mostra que o impacto foi bem além da Riviera Francesa. O nível de ocupação dos hotéis em Paris já estava baixo e despencou em Nice, mas dados preliminares mostram que a taxa de ocupação em Londres e Amsterdã, no domingo após o ataque também já havia caído 2,7% e 8,3%, respectivamente, em relação a um ano antes. As reservas de passagens aéreas também recuaram. Na quarta-feira passada, a companhia alemã Deutsche Lufthansa AG divulgou um alerta de resultados informando que a receita no segundo semestre do ano deve recuar entre 8% e 9% porque as incertezas econômicas e os “repetidos ataques terroristas na Europa” têm reduzido as reservas de voos de longa distância para a região. Na quinta-feira, a companhia aérea britânica EasyJet PLC afirmou que as ameaças de terrorismo e o acidente ocorrido em maio com um avião da egípcia Egyptair estão entre os fatores que causaram a queda na demanda para os meses de verão na Europa.

O jornal norte-americano acrescenta que a firma de artigos de luxo LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton SE divulga o seu resultado do primeiro semestre amanhã e a Kering SA, na quinta-feira. As empresas europeias de viagens já vinham se preparando para um período difícil no turismo. Apesar da realização do campeonato das seleções europeias — a Eurocopa, um evento que ocorre a cada quatro anos e que costuma atrair turistas —, a Europa foi a única região do mundo a registrar menos reservas internacionais para o verão até 31 de maio, com uma queda de 2,1% em comparação ao verão de 2015, de acordo com a ForwardKeys, firma espanhola que compila informações sobre passagens aéreas. Embora esses dados tenham mostrado que o número de reservas internacionais para a Espanha e a Irlanda cresceu no período do verão, esses aumentos foram mais que compensados pela queda de 11% nas reservas para a França, 23% para a Bélgica e 31% para a Turquia, segundo a ForwardKeys. 


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