'WSJ': Escândalo de emissões na Volkswagen atinge lucros do segundo trimestre

Matéria publicada neste sábado (23) pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal conta que a Volkswagen AG anunciou ontem seu melhor lucro trimestral operacional da história, resultado de corte de custos em seus negócios de veículos de passageiros, mas metade dos ganhos foi eliminada por 2,2 bilhões de euros (US$ 2,4 bilhões) em despesas relacionadas à fraude envolvendo seus carros a diesel, o que mostra que a fabricante alemã de automóveis ainda tem um longo caminho a percorrer para superar o escândalo da trapaça nas emissões de poluentes. As novas despesas aparecem depois de a companhia ter provisionado 16,2 bilhões de euros no ano passado e sugerem que o diretor-presidente, Matthias Müller, se precipitou ao assegurar aos investidores, em abril, que não haveria mais custos significativos relacionados ao caso. A Volkswagen informou que o lucro operacional antes dos itens especiais foi de 7,5 bilhões de euros nos primeiro seis meses do ano, o que implica em um lucro operacional recorde de 4,4 bilhões de euros entre abril e junho, um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2015. Os investidores ficaram animados com o relatório preliminar dos resultados, levando a ação da montadora a subir 6%, para 123,45 euros, na Bolsa de Frankfurt ontem.

A reportagem do Journal diz que o relatório da Volkswagen deixou alguns investidores preocupados ao sugerir que a empresa está menos otimista com a contenção dos custos relacionados ao escândalo das emissões de poluentes, em razão de muitos novos riscos financeiros. A Volkswagen mergulhou em uma crise em setembro, quando as autoridades reguladoras ambientais dos Estados Unidos revelaram que a companhia manipulou alguns motores movidos a diesel para burlar os testes de emissões de poluentes. A notícia levou à demissão do então diretor-presidente Martin Winterkorn e deu início a investigações e ações civis contra a companhia no mundo todo.

“Apesar do Dieselgate, a VW teve o melhor lucro operacional de sua história”, disse Michael Punzet, analista do DZ Bank AG para o setor automotivo, mas observou que mantém uma “visão cética sobre a VW” por causa das incertezas que ainda existem sobre as consequências do escândalo.

De acordo com o WSJ, o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, que entrou com uma queixa contra a companhia exigindo US$ 450 milhões em multas, disse esta semana que a Volkswagen se envolveu em “violações flagrantes e generalizadas” que “atingem o coração” das leis ambientais. A ação do Estado de Nova York alega que Müller estava ciente em 2006 dos problemas técnicos que levaram os engenheiros da companhia a trapacear sobre as emissões. A Volkswagen não quis comentar a alegação. Mas alguns analistas não deram importância às novas despesas, preferindo se concentrar na melhoria do desempenho da Volkswagen.

“É bem possível que isso venha a contribuir para a multa final”, diz Andrew Edwards, diretor-presidente da corretora ETX Capital. “O Dieselgate significará um pesado fardo financeiro para a companhia por muitos anos.”

O The Wall Street Journal acrescenta que Arndt Ellinghorst, analista automotivo da firma financeira americana Evercore ISI, que se mostra otimista com a montadora há vários meses, atribuiu a melhora a um melhor gerenciamento de preços, medidas de corte de custos e uma recuperação dos negócios mais importantes da Volkswagen com clientes de frotas corporativas. Ele estima que a margem de lucro antes de impostos da marca Volkswagen subiu para 3% no segundo trimestre de 2016, superando as previsões, que apontavam para 2%.

“Continuamos acreditando que o mercado está sendo complacente em relação ao tamanho e à velocidade da mudança que a nova equipe de gestores da VW está implementando”, diz Ellinghorst.

A Volkswagen não forneceu detalhes adicionais sobre os lucros do período, citando que a data de publicação dos resultados completos será em 28 de julho.

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