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Harley-Davidson Forty-Eight, para rolês urbanos com muito estilo

Sportster melhorou para 2016, mas ficou mais cara; parte de R$ 50.700

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Uma boa gestão de marca pode ajudar a manter a saúde de uma empresa, e, em situações críticas, até salvá-la da falência.

A Harley-Davidson sabe da importância de se ter uma marca forte e trabalha muito bem isso há décadas. Calma, este não é um texto publicitário, mas a avaliação da H-D Forty-Eight, número que pode muito bem ser o seu, caso você queira dar um up na sua gestão de marca pessoal. Trocando em miúdos, em como você projeta sua imagem para o mundo. Não entendeu? Então experimente passar alguns dias em companhia desta urbana e estilosíssima Sportster.

Aposto que a leitura que farão de você é, no mínimo, a de um cara descolado, que valoriza a liberdade e tem um estilo de vida invejável. Ou, no meu caso, uma “mina”. E, enquanto eu pilotava a motoca, por mais que eu estivesse pensando nos pepinos pra resolver em casa ou no trabalho, para os outros, a badass aqui certamente estava à procura da próxima aventura. Pois é, a Forty-Eight tem esse poder.

Primeiro, porque o visual por si só impressiona. O tanque peanut é sua característica mais marcante - e o nome da moto não é por acaso, já que este tipo de tanque em formato de amendoim veio ao mundo no ano de 1948. Ele recebeu pintura com linhas horizontais e um emblema em alto relevo, mas continua com a capacidade comedida, de apenas 7,9 litros, o que reforça a vocação urbana da moto. No mais, o motorzão e a dupla saída de escapamento na cor preta com uma cobertura cromada compõem o visual agressivo.

Para a linha 2016, a Forty-Eight (ou XL 1200X, como também é conhecida) passou por uma baita reformulação e melhorou em vários quesitos. Eu diria que o principal upgrade foi a experiência que o piloto tem em cima dela. O motor continua o conhecido Evolution V-Twin de 1.200 cc refrigerado a ar e acoplado a um câmbio de 5 marchas, o que entrega que o desempenho continua praticamente o mesmo. As rodas raiadas se foram e no lugar delas vieram rodas de liga-leve pretas de 16 polegadas, calçadas com pneus Michelin MT90 – de 130 mm de largura na dianteira e 150 mm na traseira – sem câmara. Os freios são ABS de série com pistão duplo.

A suspensão foi aprimorada. A dianteira agora conta com garfos de 49 mm de diâmetro (10 mm a mais que a antecessora), e a traseira traz ajustes na pré-carga da mola. O novo conjunto tentará ser mais gentil com sua coluna, enquanto o novo banco tentará ser mais amigável com seu glúteo. Tentará, eu disse. Nenhuma mudança que eu citei é ultra inovadora, mas em conforto ela melhorou mesmo. Acredite.

A Forty-Eight é baixinha. O assento está a 66 cm do solo apenas (sem o piloto), e isso livra de apuros novatos ou pessoas de baixa estatura. Para dar a partida não precisa de chave, graças ao H-D Smart Security System, basta carregar o transponder no bolso e sair por aí. O guidão tem perfil baixo e as pedaleiras são projetadas à frente, mas a posição não é incômoda.

Os retrovisores são montados de forma invertida. Eles conferem certo charme ao modelo, mas requerem familiaridade no uso diário. O filtro de ar na lateral é bem saliente, chega a ser estranho visualmente, porém a peça não interfere no conforto do piloto. Na prática, a Forty-Eight diverte com a boa maneabilidade e, óbvio, com as acelerações vigorosas e boas retomadas. O torque abundante, de 8,97 kgf.m, chega aos 3.500 rpm, e a boa notícia é que agora é possível conferir as rotações, já que o minimalista painel traz conta-giros, indicador de marcha engatada, além do velocímetro. Marcador do nível de combustível não tem, então, lembre-se de parar, no máximo, a cada 130 km rodados para abastecer – isso se você estiver pegando leve na manopla da direita!

Questão de costume

Rodar com uma H-D, seja ela qual for, é uma experiência única. Depois que você se acostuma, começa a achar normal o câmbio com engates espartanos, a embreagem dura, que torna os trajetos no trânsito mais cansativos, e a vibração do motor, que mesmo apoiado em coxins de borracha, causa aquele formigamento no corpo. Dentro do mundo Harley, tudo isso é absolutamente normal. E assim, mantemos firme e forte a duradoura relação de amor e ódio com as lendárias e inesquecíveis motos da Harley-Davidson. 

A Forty-Eight parte de R$ 50.700, preço que assusta se você estava acostumado aos R$ 39 mil cobrados pela antecessora. Dá pra deixá-la R$ 1.150 mais cara se você optar pela pintura Hard Candy Custom, purpurinada. Ela vai te atender se você estiver procurando um motorzão envolto em muito estilo e uma companhia que vai contribuir com sua auto-estima nos rolês solitários na cidade. Por quê solitários? Esqueça o garupa, a Forty-Eight leva apenas um. E caso você arrume briga em casa por conta disso, não deixe sua parceira(o) ler este texto, ela(e) não precisa saber daquela história de gestão de marca pessoal.