'WSJ': Cresce preocupação com empréstimos imobiliários de alto risco na China

Matéria publicada nesta segunda-feira (4) no The Wall Street Journal analisa que as iniciativas da China para reduzir o excesso de imóveis desocupados estimulando o crédito imobiliário provocaram um problema ainda maior que está alarmando os reguladores: um surto de empréstimos de alto risco ao estilo das hipotecas “subprime”, que tiveram papel central na crise financeira. Os compradores da China geralmente dão um terço do preço de um imóvel novo como entrada.

Mas segundo a reportagem, um rápido crescimento no número de compradores tomando empréstimos para da dar entrada em imóveis está levando autoridades chinesas a restringir essa prática. Serviços de crédito que captam dinheiro com investidores e depois o emprestam a juros mais altos concederam 924 milhões de yuans (US$ 143 milhões) em financiamentos para entradas de compras de imóveis em janeiro, mais que o triplo do volume de julho do ano passado, segundo a Yingcan, uma consultoria de Xangai. 

O jornal americano conta que um executivo sênior de um dos quatro maiores bancos estatais da China diz que os empréstimos para pagar entradas de imóveis contribuíram diretamente para uma alta recente nos preços dos imóveis em grandes cidades. “É uma prática arriscada que deve ser contida”, diz ele. 

As autoridades chinesas agora estão intervindo. Em março, o banco central e o Ministério da Habitação começaram a restringir empréstimos que encorajam compradores de imóveis com slogans de “sem entrada”.

Yang Jun, um auxiliar de escritório de 31 anos, tomou dinheiro emprestado de parentes e amigos para pagar a entrada de 30% de um apartamento de 1,5 milhão de yuans em Nanjing, mas ainda faltaram 100 mil yuans. A incorporadora ofereceulhe um empréstimo para o valor restante. “Isso me ajudou a realizar meu sonho chinês” da casa própria, diz Yang. “Um monte de jovens com eu ficaria de fora do mercado sem a ajuda desses financiamentos.” 

O governo chinês começou a relaxar o crédito no fim de 2014 para ajudar as cidades a ocupar seus apartamentos vazios — herança de um boom alimentado por dez anos de crescimento da população urbana e crédito barato. Mas, apesar da alta nos empréstimos para entradas e um acesso mais fácil às hipotecas para grupos como trabalhadores migrantes da zona rural, encontrar compradores se mostrou uma tarefa difícil em alguns lugares. Em vez disso, o relaxamento do crédito e incentivos alimentaram uma corrida imobiliária nas grandes cidades