'WSJ': Volatilidade do mercado esquenta debate sobre perspectivas econômicas globais

Já há quem sinta as vibrações de um novo terremoto financeiro de proporções globais

Matéria publicada nesta segunda-feira (15) no The Wall Street Journal, relembra que não faz nem uma década que as bolsas em todo o mundo desabaram com o anúncio da quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, e já há quem sinta as vibrações de um novo terremoto financeiro de proporções globais. Diante da freada da economia chinesa, da brusca queda do preço do petróleo e da expansão do fenômeno dos juros negativos em países ricos, alguns economistas têm defendido que uma nova crise como a de 2008 estaria se aproximando.

Na semana passada, até o FED, o Banco Central americano, anunciou que deixaria em aberto a possibilidade de adotar os juros negativos em função das adversidades da economia global, gerando grande alvoroço nos mercados que esperam um aumento da taxa este ano.

Já praticam juros negativos em seus títulos ou como taxa de referência o Banco Central Europeu, a Suécia, a Dinamarca e a Suíça, além do Japão, que recentemente emitiu pela primeira vez um título de longo prazo com rentabilidade negativa.

Se um país adota os juros negativos, na prática os investidores têm de pagar para emprestar seu dinheiro – em vez de receber uma remuneração. Os bônus de dez anos do governo do Japão, por exemplo, foram negociados por -0,035%, o que significa que quem emprestar para o país hoje, daqui a uma década poderá reaver um pouco menos do valor investido.

O fenômeno é impulsionado por uma corrida por economias de baixo risco. A lógica é que há tanta instabilidade no mercado que os investidores não se importam em perder um pouco de dinheiro pela certeza de que seus ativos estarão seguros.

As exportações chinesas em yuan caíram 6,6% em comparação com janeiro do ano anterior, decepcionando as projeções para um ganho de 3,6%, ao passo que as importações despencaram 14,4%, não correspondendo às expectativas para um aumento de 1,8%. Isso deixou a nação asiática com um superávit de 406 bilhões de yuans. A reportagem conta que, em dólares, as exportações caíram 11,2% em comparação com o ano anterior, pior do que as projeções para uma queda de 1,9%, ao passo que as importações recuaram 18,8% em comparação com as expectativas para uma queda de 0,8%, deixando a China com um superávit comercial recorde de US$ 63,3 bilhões no último mês. 

A economia do Japão contraiu no quarto trimestre, uma vez que a fraca demanda do consumidor e para as exportações atingiu a recuperação. Dados divulgados antes da abertura do mercado em Tóquio mostraram que a economia do Japão contraiu em uma taxa anualizada de 1,4% no trimestre de outubro a dezembro, pior do que as expectativas para uma contração de 1,2%. Em uma base trimestral, a economia contraiu 0,4% nos últimos três meses de 2015.