Matéria publicada nesta sexta-feira (22) no The Guardian, por David Blanchflower, conta que a credibilidade do comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, e de seu governador, Mark Carney, está em baixa. A preocupação é que eles podem ter desencadeado uma desaceleração significativa. Esta semana o Brent caiu abaixo de US $ 28 o barril. Os preços das commodities estão caindo e os mercados globais estão entrando em profunda recessão. Os EUA e o Reino Unido estão apresentando uma rápida desaceleração. Mas o Comitê de Política Monetária parece estar dormindo ao voltante.
Em 2013, Carney explicou que a intenção do CPM era manter a taxa do Banco em 0,5%, pelo menos até que a taxa de desemprego cair para menos de 7%. Como a taxa de desemprego continuou chegou a 5,1%, como anunciado pelo Escritório Nacional de Estatísticas, a taxa do Banco manteve-se inalterada.
Mas Carney, ex-governador do Banco do Canadá, contratado por George Osborne por um altíssimo salário, não aprendeu nada com sua atitude omissa de 2013.. Em agosto de 2015, no baile anual de banqueiros centrais organizados pelo Fed de Kansas City em Jackson Hole, ele disse que "estava passando por um momento estável" na economia do Reino Unido e o aumento da inflação seria "iniciado logo após a virada do ano".
Segundo a reportagem, os mercados não estão esperando um aumento de taxa pelo menos até 2017, e parecem não acreditar mais em nenhuma palavra do que o governador diz. O CPM também tem um grande problema com a credibilidade das suas previsões, que têm sido excessivamente otimistas. A instituição financeira não mostrou nenhum sinal de ter aprendido com seus erros do passado. Por exemplo, o comitê previa um aumento do crescimento salarial, em novembro de 2014 previa crescimento dos salários de 3,25% para 2015 - e, atualmente, eles estão prevendo crescimento dos salários de 3,75% tanto em 2016 e 2017, subindo para 4% em 2018. Isso não vai acontecer. Os dados mais recentes para dezembro de 2015 foi de um singelo aumento de 2%.
A preocupação é que o CPM pode estar a repetindo o seu maior erro desde 2008, quando aconteceu a Grande Recessão. Carney sugeriu que a desaceleração da China provavelmente tenha pouco impacto sobre o Reino Unido. As taxas de crescimento chinesas esta semana alcançou seu índice mais baixo em 25 anos e o FMI reduziu sua previsão de crescimento da economia chinesa para os próximos dois anos.