O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a redução da taxa Selic durante entrevista a blogueiros nesta quarta-feira (20), mas afirmou que a economia brasileira "pode crescer" mesmo com os juros em alta. Atualmente, a taxa se encontra em 14,25% ao ano. O Copom, do Banco Central, está reunido desde ontem e anunciará, ainda hoje, se mantém ou revê os juros básicos do país para o próximo período.
"Acho que a gente deve trabalhar para que a taxa Selic caia, mas trabalhar para fazer outros investimentos. Tem que colocar bancos particulares e públicos para emprestar para o povo pobre. Não vejo outra saída", disse o petista. Ainda assim, ele acredita que a economia brasileira pode crescer mesmo com os juros em alta.
Lula afirmou que evita dar "palpite" nas decisões econômicas da presidente Dilma Rousseff, mas que o momento é de retomar a confiança da população em suas decisões. "Ela tem que acreditar e fazer com convicção, tem que passar em cada palavra: eu acredito no que estou falando. É recuperar a confiabilidade da sociedade e que foi perdida depois das eleições. Dilma sabe disso porque tem pesquisa todo dia. tem que trabalhar", opinou.
O ex-presidente também disse estar preocupado com a reação negativa da imprensa à saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. De acordo com ele, o atual ministro - Nelson Barbosa - tem que fazer, o quanto antes, um anúncio das medidas que irá implementar. "Se Nelson Barbosa, que é esperto politicamente e sábio economicamente, não anunciar algo que seja credível para a sociedade, vai anunciar coisa que não vai ter sucesso. Como ele é muito inteligente e Dilma sabe da situação que estamos, vai dar conta do recado", afirmou.
De acordo com Lula, o anúncio deverá acontecer ainda em janeiro. "Então o desafio da Dilma, agora, e eu peço a Deus que a ilumine muito, o ministro Nelson Barbosa e todo o governo, é que em algum momento neste mês vão precisar anunciar alguma coisa para a sociedade brasileira. Então o Levy saiu, e o que vai mudar?", provocou o ex-presidente.
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Durante a conversa, o petista ainda defendeu a necessidade de uma reforma da Previdência, mas atestou que as mudanças devem ser debatidas com trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais. "A Previdência de vez em quanto tem que ser reformada. Quando a lei foi criada, se morria com 50 anos. Hoje, a expectativa de vida é de 75 anos", disse.
'Se o PIB crescer, a dívida pública do Brasil cai', afirma Lula
O ex-presidente também falou sobre a dívida pública brasileira, comparando-a à dos Estados Unidos e colocando o crescimento econômico como resultado para a questão fiscal. "O pessoal fala muito de dívida pública no Brasil. Depois de 2007, a dívida pública norte-americana foi de 74% para 105%; o Obama endividou o país, mas para fazer a economia girar", comparou.
Para Lula, se o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescer, sua dívida irá cair. "Então o jeito da gente consertar a economia, na minha opinião, é fazer a economia crescer. A Grécia começou com uma crise que 30 bilhões resolviam, mas depois de 10 anos de discussão, chegou a uma situação que 200 bilhões não resolviam", concluiu.