O mercado brasileiro se ancorou no bom humor das commodities e subiu nesta terça-feira (15), deixando de lado a tensão política, que se agravou com a instauração de nova fase da operação Lava Jato, a Catilinárias. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis de políticos, dentre eles o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No fechamento, o Ibovespa subia 0,28%, a 44.872 pontos.
Além de Cunha, foram realizadas buscas nas residências do deputado federal Aníbal Gomes (PMSB-CE) e do senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia. Em entrevista coletiva, o presidente da Câmara opinou ser estranho que membros do PT não sejam investigados. Ele negou que possa renunciar ao cargo e pediu que o PMDB rompa com o governo.
No Conselho de Ética da casa, o parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), relator do processo de cassação de Cunha, foi aprovado por 11 votos a nove. A partir de agora, o processo pode ir a votação no Plenário da Câmara.
Nos destaques do Ibovespa, as ações ligadas a matérias-primas subiram forte. Acompanhando os ganhos do petróleo, a Petrobras teve alta de 3,76% em suas ações ordinárias (PETR3, R$ 9,10) e de 2,91% nas preferenciais (PETR4, R$ 7,42). A Vale (VALE3, R$ 12,88, +3,37%; VALE5, R$ 10,28, +4,15%) também se valorizou, em reflexo do preço da tonelada do minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao.
O bom humor, porém, tem data marcada. Analistas avaliam que o movimento de valorização da bolsa brasileira pode não continuar ao longo da semana, se referindo ao anúncio do Federal Reserve nesta quarta-feira (16) sobre a política monetária dos Estados Unidos. Caso as expectativas de elevação dos juros se confirmem, é possível uma fuga de capitais de economias emergentes como o Brasil.
Nesta terça, o Departamento do Trabalho informou que o índice geral de preços ao consumidor norte-americano ficou inalterado em novembro, mas que o núcleo de preços - que exclui alimentos e energia - avançou 0,2%. Este é o terceiro mês seguido em que o núcleo sobre 0,2%. A notícia reforça as expectativas de que o Fed eleve os juros dos EUA amanhã.
Dólar bate R$ 3,90, mas fecha em queda de 0,24%
Após chegar perto da barreira dos R$ 3,90, o dólar voltou a cair de fechou o dia cotado a R$ 3,8765 (-0,24%) na venda. Na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 3,8506. A sessão foi marcada pelo baixo volume de negócios, com investidores sendo cautelosos em função do Fed.
Nesta manhã, o Banco Central deu sequência à rolagem de swaps cambiais com vencimento em janeiro. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 6,019 bilhões - cerca de 56% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.
Política monetária dos EUA leva indefinição ao mercado asiático
O nervosismo quanto à política monetária do país também afetou as bolsas asiáticas, que fecharam a quinta sem direção única. Na Oceania, o mercado australiano foi a seu menor nível em dois anos. Já na China a Bolsa de Xangai virou para o campo negativo, terminando o dia em baixa de 0,3%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 0,17%, a 21.274,37 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve leve alta de 0,4%, a 8.073,35 pontos, enquanto em Seul o índice sul-coreano Kospi subiu 0,27%, para 1.932,07 pontos.