Vendas no Dia das Crianças caíram 8,95%, pior resultado desde 2009

Dados são do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas

As expectativas pessimistas se confirmaram e o comércio varejista registrou seu pior resultado nos últimos seis anos para o Dia das Crianças. De acordo com os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as consultas para vendas a prazo caíram 8,95% entre os dias 5 e 11 de outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em 2014, o volume de vendas já havia registrado uma queda de 1,50%. Em anos anteriores, entretanto, os resultados haviam sido positivos, com crescimentos de 3,15% (2013), 4,83% (2012), 5,91% (2011) e 8,5% (2010). Com o fraco desempenho de 2015, o recuo acumulado dos últimos dois anos já chega a 10,32%. Última data comemorativa antes do Natal, o Dia das Crianças costuma funcionar como um indicador para as vendas do final de ano.

O comportamento dos consumidores neste Dia das Crianças repetiu o que vinha acontecendo nas demais datas comemorativas deste ano: ainda segundo levantamentos do SPC Brasil e da CNDL, a queda nas intenções de vendas parceladas também foram significativas no Dia dos Namorados (-7,82%), na Páscoa (-4,93%), no Dia das Mães (-0,59%) e no Dia dos Pais (-11,21%).

De acordo com o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o resultado é consequência da economia brasileira em crise. “Com o acesso ao crédito mais difícil, os juros elevados e a inflação mais alta, o poder de compras do brasileiro fica cada vez mais limitado”, explica. “Os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o próprio orçamento com compras parceladas, por isso optaram por presentes mais baratos e geralmente pagos a vista", finaliza Pinheiro.

Em entrevista ao JB, o presidente do Clube de Diretores Lojistas (CDL-Rio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro (Sindilojas), Aldo Gonçalves, havia realizado o mesmo diagnóstico. Para ele, atualmente o comércio varejista enfrenta o “pior dos mundos”: inflação em alta, juros elevados e crédito escasso. Ainda segundo Gonçalves, o aumento da informalidade durante datas comemorativas também contribui para o mau desempenho do comércio brasileiro. 

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Por Ana Siqueira