Les Echos: Brasil voltará a crescer!

O jornal Les Echos, de Paris, publicou dia 13 de outubro matéria sobre possível volta do crescimento econômico do Brasil. Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ha oito anos, não tem dúvida: apesar da magnitude da atual crise e a pressão múltipla para o impeachment ou renúncia de Dilma Rousseff, o povo brasileiro vai ficar bem. Ele "não vai cair", diz ele. No entanto, Luciano Coutinho reconhece que as incertezas pesam sobre a economia brasileira, que através de uma grave recessão (- 3% este ano, segundo o FMI, e -1% em 2016) e inflação alta (9,4%) a dívida pública está se aproximando de 70% do PIB, segundo o FMI.

Segundo a matéria, este é um fenômeno transitório, diz o presidente do BNDES. Ele vê uma recuperação no próximo ano, com o crescimento "na margem" e no segundo semestre seria entre " 2% e 2,5%." Outro elemento favorável: o declínio das pressões inflacionistas no próximo ano,  que poderá abrir  caminho para a queda das taxas de juros, atualmente fixada em 14,25% ao ano. Uma queda, por sua vez, deve promover uma crise de investimento em infra-estruturas, em particular. "O Brasil está passando por um período difícil, mas ainda há muitas razões para ter esperança em termos econômicos", diz ele. "Meu melhor palpite é que será possível resolver a crise política, concluir com êxito a fase de ajustes e retomar o caminho do crescimento" . Mas ele reconhece, no entanto, o peso das incertezas que cercam a cena política. 

A decisão do rebaixamento da Standard & Poor do Brasil à categoria de caloteiros no mês passado causou uma revolução e acelerou a queda do real no mercado de câmbio. Mas Luciano Coutinho quer ver o lado positivo: "Isso pode ser um catalisador para o governo encontrar uma coesão melhor", disse ele. Na mesma linha, Luciano Coutinho acredita que o processo iniciado pelo Tribunal de Contas pode também ter efeitos educativos. O Tribunal de Contas rejeitou as contas do primeiro governo Dilma, e suspeitou de ter violado a lei de responsabilidade fiscal. "Pode ser que sirva para o Tribunal de Contas  aperfeiçoar sua coordenação política e superar as suas deficiências o mais rapido possível", disse ele.