O Ibovespa alcançou, nesta segunda-feira (5), sua maior sequência de altas desde 2014. No quinto pregão consecutivo de valorização, o índice subiu 1,20%, para 47.598 pontos. Em contrapartida, o dólar voltou a cair frente ao real. A moeda fechou a sessão no menor nível em mais de duas semanas, cotada a R$ 3,8893 (-1,14%) na venda. O Banco Central deu continuidade a seu programa diário de interferência no câmbio, seguindo a rolagem de swaps cambiais que vencem em novembro.
O mercado brasileiro acompanhou o bom humor internacional, com investidores confiantes de que o Federal Reserve adiará mais uma vez a alta dos juros dos Estados Unidos. Após a divulgação, no fim da semana passada, de um fraco relatório de emprego durante o mês de setembro, hoje, o mercado acompanhou um recuo acima do esperado em dois indicadores do setor norte-americano de serviços: o índice de atividade do Instituto para Gestão de Oferta (ISM) caiu para 56,9 em setembro, menor nível em três meses. O índice da consultoria Markit também teve retração para 55 pontos, menor leitura em três meses.
Internamente, a reforma ministerial anunciada pela presidente Dilma Rousseff na semana passada continuou impulsionando a alta. Também esteve em pauta o pedido do governo para afastar o relator Augusto Nardes do processo das "pedaladas fiscais" no Tribunal de Contas da União (TCU). Com isso, novos empecilhos para a abertura de um processo de impeachment contra a presidente aparecem, trazendo alívio para o mercado financeiro do Brasil. Amanhã, entretanto, os investidores não sabem o que esperar da Bovespa. Isso porque o Congresso irá avaliar os vetos presidenciais restantes, o que ditará o humor das negociações.
Além da situação das contas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), na Suíça, incertezas sobre a continuidade de Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda rondam a política brasileira. O ministro voltou a afirmar, na manhã de hoje, que a volta da CPMF tem importante papel no ajuste fiscal do país.
Ainda pesaram na avaliação dos investidores a divulgação do Relatório Focus prevendo uma retração no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 2,8% e 2,85%, e um avanço de 9,53% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. Nesta segunda o Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) do país também foi divulgado. Ele registrou 41,7 pontos em setembro, ante os 44,8 de agosto.
Perto do fechamento do Ibovespa, destaque para as ações da Petrobras, que acompanharam a alta nos preços do petróleo. Seus papeis ordinários (PETR3) subivam 2,73%, cotadas a R$ 9,40, enquanto os preferenciais (PETR4) avançavam, 0,64%, a R$ 7,82. A Oi (OIBR4, R$ 3,26, +10,88%) também tiveram valorização significativa, após a companhia anunciar que irá converter 66,84% de suas ações preferenciais em ordinárias.
Bolsas europeias fecham em alta, na expectativa de Fed adiar elevação de juros
Impulsionadas pela perspectiva de que o Fed poderá mais uma vez adiar a alta dos juros dos EUA, as bolsas europeias fecharam a segunda em forte alta. O índice Stoxx 600 subiu 3,01%, para 358,33 pontos, enquanto o FTSEurofirst 300 teve avanço de 2,82%.
Destaque também para o setor petrolífero, que acompanhou os ganhos do barril Brent até o fechamento dos mercados europeus. Em Londres, apenas a Glencore disparou 21,05%, recuperando suas perdas da semana passada. O FTSE 100, por sua vez, teve alta de 2,76%, aos 6.298,92 pontos.
Em Frankfurt, o Dax se valorizou 2,74%, para 9.814,79 pontos. Em Madri, o Ibex 35 avançou 3,83%, para 9.971,30 pontos. Em Paris, o CAC-40 subiu 3,54%, aos 4.616,90 pontos. Em Lisboa, o PSI-20 teve apreciação de 3,47%, para 5.397,91 pontos, melhor desempenho diário do índice em quase dois meses.
Bolsa de Tóquio fecha em alta de 1,58%
As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta segunda-feira (5). As bolsas da China permanecem fechadas devido ao feriado nacional e só reabrirão na próxima quarta-feira (7).
O índice Hang Seng avançou 1,62%, aos 21.854,50 pontos; o Nikkei 225, de Tóquio, encerrou o pregão em alta de 1,58%, aos 18.005,49; o Kospi, de Seul, subiu 0,44%, aos 1.978,25; o Straits Times, de Cingapura, teve alta de 1,67%, aos 1.978,25 pontos; e o Taiwan Weighted, de Taiwan, avançou 0,52%, aos 8.352,36 pontos.
Na última sexta-feira (2), as bolsas asiáticas fecharam sem direção única, em meio à expectativa para os novos números sobre criação de empregos nos EUA, que poderia influenciar na decisão do Fed de elevar os juros básicos do país.