Em pregão de volta de feriado no Brasil e nos Estados Unidos, o cenário externo aliviou o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, que encerrou esta terça-feira (8) em leve alta de 0,57%, aos 46.762 pontos. O dólar comercial, em contrapartida, teve desvalorização de 1,07%, terminando a sessão cotado a R$ 3,8190 na venda. A queda ocorreu após o Banco Central aumentar sua intervenção no câmbio e em meio ao avanço das bolsas chinesas. O câmbio futuro para outubro também caiu, 0,84%, a R$ 3,852.
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No cenário externo, o mercado chinês conseguiu driblar as notícias de queda em suas importações e alcançou alguma estabilidade após o anúncio de medidas corretivas como a introdução do circuit break e a isenção de impostos para dividendos de investidores a longo prazo. Na Europa, dados positivos em relação ao crescimento da zona do euro, com destaque para a Alemanha, também puxaram suas bolsas para cima.
Em Wall Street - que também não abriu seus índices na última segunda-feira (7), em função do Dia do Trabalho - o Dow Jones subiu 2,42%, aos 16.492 pontos, e o S&P cresceu 2,49%, aos 1.969 pontos.
No noticiário doméstico está no radar político e econômico a possibilidade de aumento nos impostos. Uma das possibilidades estudadas pelo Ministério da Fazenda é elevar a Cide-Combustíveis dos atuais R$ 0,22 por litro para R$ 0,60, somando uma arrecadação extra de aproximadamente R$ 12 bilhões para a União. Um aumento menor, para R$ 0,40 por litro, também é cogitado. Mais cedo, após reunião na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, o ministro da Fazenda Joaquim Levy também sinalizou a possibilidade de aumentar o Imposto de Renda para reequilibrar as contas do governo.
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Investidores também estiveram atentos às novas declarações da Fitch, por meio de sua diretora de ratings soberanos da América Latina, sobre a situação do Brasil. De acordo com ela, novo parecer da agência de risco dependerá da dinâmica da dívida brasileira e de seu crescimento econômico. A afirmação, feira durante conferência em Londres, aumenta a expectativa de que o país tenha um corte em sua nota, atualmente fixada em BBB, com perspectiva negativa.
Também tem algum peso no Brasil o Relatório Focus, que elevou pela oitava vez consecutiva o encolhimento estimado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2015, e a Balança Comercial que, na primeira semana de setembro, registrou superávit de US$ 554 milhões. Dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
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As principais empresas cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fecharam o pregão desta terça em alta. As ações ordinárias (PETR3) da Petrobras subiram 1,52%, a R$ 10,05. Seus papeis preferenciais (PETR4) tiveram valorização de 1,53%, a R$ 8,64. A Vale também subiu, encerrando a sessão com altas de 3,78% (R$ 18,93) e 4,07% (R$ 15,33) em suas ações ordinárias (VALE3) e preferenciais (VALE5), respectivamente.
Bolsa de Xangai fecha em alta de 2,92%
As bolsas da China também fecharam o pregão de hoje em alta. O índice Xangai Composto avançou 2,92%, aos 3.170,45 pontos, enquanto o índice SZSE Component subiu 3,29%. Já em Tóquio, o Nikkei 225 teve queda de 2,43%, aos 17.427,08 pontos; e em Seul, o Kospi recuou 0,24%, aos 1.878,68 pontos.
Outros mercados asiáticos encerraram o pregão em alta: em Taiwan, o Taiwan Weighted teve alta de 0,19%, aos 8.001,50 pontos; em Cingapura, o Straits Times avançou 0,96%, aos 2.879,20 pontos; e em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 3,33%, aos 21.268,01 pontos. No Pacífico, em Sydney, o índice S&P/ASX 200 subiu 1,69%.
Na segunda-feira, as bolsas asiáticas haviam fechado em baixa, após o governo chinês ter anunciado, na noite de domingo, uma revisão para baixo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014, de 7,4% para 7,3%. A única alta foi na Bolsa de Tóquio, que avançou 0,38%.
Bolsas europeias fecham em alta após dados positivos na zona do euro
As principais bolsas europeias também tiveram alta, impulsionadas pela revisão positiva no crescimento econômico da zona do euro nos primeiros dois trimestres de 2015. Segundo novas projeções da agência de estatísticas Eurostat, o crescimento nesses períodos foi de 0,5% e 0,4%, respectivamente, contra 0,4% e 0,3% na estimativa anterior.
Nos primeiros três meses do ano, as variações se explicam pela incorporação de dados relativos à Irlanda, ausentes na primeira projeção. No segundo trimestre, por sua vez, alteração da estimativa é resultado da revisão positiva dos resultados dos países membros. "No segundo trimestre, o PIB cresceu em todos os Estados membros com dados disponíveis, exceto na França, onde não registrou variação", afirmou a agência de estatísticas em comunicado.
A Eurostat ainda informou que a Alemanha teve superávit comercial de 22,8 bilhões de euros (US$ 25,6 bilhões) em julho, o maior já registrado na série histórica iniciada em janeiro de 1991. Os fortes dados da zona do euro se somaram, nesta terça feira, à perspectiva de mais estímulos à economia chinesa. Para analistas, cenário coloca pressão para que o governo da China intervenha na política monetária.
Como resultado, no encerramento do pregão de hoje o índice pan-europeu Stoxx 600 subia 1,18%, aos 359,00 pontos. Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou a sessão com ganhos de 1,18%, aos 6.146,10 pontos. Destaque para as ações de empresas ligadas a commodities metálicas e energéticas, como a Glengore (+4,40%) e a BP (+1,25%).
Em Frankfurt, o DAX subiu 1,61%, para 10.271,36 pontos. Os papéis do Commerzbank respondem pela maior alta do índice, de 6,81%, impulsionados pela elevação da recomendação pelo JPMorgan. Em Paris, o índice CAC 40 de Paris teve valorização de 1,07%, aos 4.598,26 pontos. Em Milão, o FTSE MIB cresceu 1,48%, chegando aos 21.941,31 pontos. Em Madri, o IBEX 35 subiu 0,62%, aos 9.866,20 pontos, e a bolsa de Lisboa avançou 0,81%, para 5.070,95 pontos.