Mesmo com alta do dólar, exportações ainda enfrentam desaceleração da China

Nesta sexta-feira, moeda americana atingiu o maior valor em 12 anos

No último dia de julho o dólar disparou e chegou a R$ 3,42, se aproximando da taxa atingida na terça-feira (28), R$ 3,43, maior valor para a moeda desde março de 2003. No ano, a alta é de 28,80% e em 12 meses, de 50,94%.

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Vários fatores motivam uma alta tão expressiva nos últimos dias. No cenário internacional impulsionam o dólar a manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos entre 0% e 0,25%, e a divulgação do PIB norte-americano.

Dentre as causas domésticas estão a mudança de perspectiva da nota soberana do Brasil pela Standard & Poor’s para “negativa”, a alta da taxa Selic (14,25%) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana e a divulgação do pior resultado da história das contas do setor público brasileiro.

A retirada de US$ 4,3 bilhões pelo Banco Central também influencia a disparada da divisa. Para Caio Toledo, analista da XP Investimentos, a estratégia adotada pelo BC visa retomar sua credibilidade e passar ao mercado a mensagem de “volta a uma visão mais ortodoxa”. Ele explica: “Essa retirada deixa o câmbio mais flutuante, colocando o preço do dólar a cargo do mercado. Quando o governo intervinha, conseguia segurar a cotação do dólar. Mas ele está sinalizando ao mercado que não vai intervir”.   

Com a valorização da moeda norte-americana, grandes empresas exportadoras são beneficiadas. “Mas não podemos nos esquecer da crise externa”, alerta Toledo. “A China está tirando o pé do acelerador, então as exportações de alguns produtos para esse país devem continuar caindo”.

A situação da moeda brasileira também preocupa. O real fechou o pregão com o segundo pior desempenho nesta sexta-feira. Para o analista da XP Investimentos, “o momento é de desvalorização natural das demais moedas frente ao dólar, mas, no caso do Brasil, ela se deve à instabilidade do clima político”. 

*Do programa de estágio do JB