Dólar segue disparada com déficit público; Bovespa sobe, mas fecha mês em perdas

O dólar segue em disparada, atingindo os R$ 3,42 nesta sexta-feira (31). A moeda reage ao pior resultado da história das contas do setor público brasileiro, enquanto a Bovespa volta a subir, encerrando em alta de 1,94%, aos 50.864 pontos, mas fecha o mês de julho com perdas de 4,18%. 

Repercutindo o pior resultado da história para o mês de junho nas contas públicas, que tiveram déficit primário de R$ 9,32 bilhões, o dólar continua subindo. A divisa encerrou cotada a R$ 3,4247 na venda e a R$ 3,4242 na compra, com valorização de 1,593%. 

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No mercado financeiro, as ações da Petrobras se recuperam nesta sexta após caírem mais de 2% na sessão anterior. A empresa celebrou hoje a devolução de R$ 69 milhões em recursos desviados pelo ex-gerente Pedro Barusco por esquemas de corrupção. Outra parcela no valor de R$ 70 milhões referente a desvios do ex-diretor Paulo Roberto Costa também foi assinada e deve voltar aos cofres da estatal. 

O presidente da companhia, Aldemir Bendine, falou ainda sobre o maior rigor para contratação de fornecedores e a mudança da maneira como serão tomadas decisões dentro da empresa. "Estamos ampliando a presença de comitês e auditorias externas na empresa e aumentando e cooperação permanente com autoridades no compartilhamento de informações sensíveis", afirmou.

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As ações ordinárias (PETR3) registraram alta de 0,52%, ao preço de R$ 11,58, enquanto as preferenciais (PETR4) subiram 0,29%, cotadas a R$ 10,50. No exterior, os ADRs (American Depositary Receipts) têm queda. Os papéis referentes às ações ON caíram 0,73%, enquanto as PN tiveram perdas de 1,13%. 

Os papéis da Vale também se recuperam, após queda de quase 5% no pregão de ontem, mesmo com a cotação do minério de ferro fechando em baixa na China. As ações ordinárias (VALE3) tiveram alta de 2,41%, enquanto as preferenciais (VALE5) subiram 1,67%, com preços de R$ 17,87 e R$ 14,65 respectivamente. 

Os papéis da Embraer (EMBR3) estiveram entre os destaques. Após divulgar balanço com lucro e registrar perdas de mais de 5% no pregão de ontem, os papéis se recuperam e figuram entre as maiores altas do Índice Bovespa, com ganhos de 6,22%, ao preço de R$ 23,90. 

Cenário internacional

No exterior, as principais bolsas europeias encerraram em alta, fechando o mês em valorização positiva, mesmo com turbulências nas bolsas da China e muita movimentação na situação da dívida grega. O destaque ficou para o índice CAC 40, da bolsa de Paris, que com alta de 0,73%, acumulou ganhos de 6,1% em julho, aos 5.082 pontos.

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No auge da crise grega, a população rejeitou medidas de austeridade exigidas pela União Europeia, mas Alexis Tsipras acabou cedendo à instituição e assinou acordo que prevê reformas econômicas e novos cortes no orçamento, que foi aprovado pelo Parlamento do país. Os bancos ficaram fechados desde o dia 29 de junho e foram reabertos apenas três semanas depois, mas ainda com restrições. Já a bolsa de Atenas, voltará a abrir na próxima segunda-feira (3), após mais de um mês fechada. 

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Segundo dados divulgados nesta sexta pelo Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), o desemprego na zona do euro registrou queda de 0,5 ponto percentual em junho na comparação com o mesmo período do ano passado. A taxa de 11,1% permaneceu estável, no entanto, na comparação com maio. 

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Na Ásia, as principais bolsas chinesas encerraram sem tendência definida. O índice Xangai Composite caiu 1,13% aos 3.663,73 pontos e a bolsa de Shenzhen recuou 0,18% com o índice SZSE Component. As perdas foram nos setores de Equipamentos de tecnologia e hardware, Viagens e Lazer e Tecnologia. Em Hong Kong, por outro lado, o Hang Seng subiu 0,56%, aos 24.636,28 pontos.

Para impedir que turbulências afetem a economia, o Partido Comunista da China levou o banco central, o banco estatal de financiamentos, bancos comerciais, corretoras, gestores de fundos, seguradoras e fundos de pensão a comprar ações, ou ajudou a financiar suas compras, para sustentar os mercados de Xangai e Shenzhen.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 fechou em alta de 0,30%, aos 20.585,24 pontos; no encerramento em Taiwan, o índice Taiwan Weighted avançou 0,16%, aos 8.665,34 pontos; em Seul, Kospi, subiu 0,55, aos 2.030,16 pontos; e em Cingapura, o Straits Time caiu 1,37%, aos 3.205,13 pontos.