'Não há outro remédio senão o aumento', diz economista sobre taxa Selic

O término da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (29) deve ter como resultado o sétimo aumento da taxa Selic, exatos sete dias depois de o governo anunciar redução da meta do superávit para R$ 8,7 bilhões em 2015. Segundo Patricia Krause, da Coface Brasil, empresa seguradora de crédito, tendo em vista a atual situação econômica, "não há outro remédio", senão aumentar novamente a taxa. 

Segundo expectativas divulgadas pelo Boletim Focus nesta segunda-feira (27), analistas esperam que a taxa básica de juros seja elevada em 0,5 ponto percentual, atingindo o valor de 14,25% ao ano. 

Nos Estados Unidos há forte pressão, principalmente dos investidores, para que o Fed, Banco Central do país, eleve os juros que estão entre 0% e 0,25% desde 2009. Um aumento por lá chegou a ser encarado com preocupações no Brasil, visto que os investimentos americanos poderiam ficar mais atrativos, mas a redução da meta do superávit de 1,1% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) pode ter ofuscado este fator externo. 

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"Mais [importante] do que o aumento nos Estados Unidos, é nosso dever de casa, que compromete muito o grau de investimento. [Um rebaixamento] seria muito pior para a gente. Os juros nos EUA não impactam tanto", diz Patrícia sobre o cumprimento da meta do superávit. 

Ela destaca que a pressão agora é para que o país atinja esta nova meta. A diminuição trouxe preocupações ao mercado a respeito de cortes nas notas de ratings do país, mas diz acreditar que uma perda do grau de investimentos não deve ocorrer por enquanto, pelo menos entre as três principais agências, e sim apenas se o governo não conseguir cumprir o que foi estipulado. 

Na última elevação, realizada em 3 de junho, o Jornal do Brasil entrevistou o professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Rodrigo Carlos Marques Pereira, que disse acreditar que "até o fim de 2015 continuem ocorrendo aumentos gradativos da taxa Selic, e que o Banco Central só volte a aprovar uma diminuição no ano que vem, com uma inflação mais estabilizada". 

Pereira havia projetado que até o fim do ano a Selic chegaria à casa dos 14% mas que não deveria passar dos 15%, caso contrário poderia "comprometer a atividade econômica". O especialista destacou que taxas muito altas podem surtir um efeito inverso e causar reflexo na captação de dinheiro pelas empresas. 

Há ainda programadas para este ano além da reunião que começa nesta terça (28), outros três encontros do Copom, previstos para os meses de setembro, outubro e novembro. O Boletim Focus divulga também a expectativa para inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 9,15% para 9,23%.

Esta é a 15ª elevação seguida, e a taxa deve ficar muito acima do limite superior da meta estabelecido pelo governo, que é de 6,5%. Para 2016, a projeção permanece em 5,40%. Patrícia estima que a inflação para este ano deve atingir os 9,5%.