Economia italiana se recuperará em 20 anos, prevê FMI

Taxa de desemprego só voltará a patamares pré-crise em 2035

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou seu relatório econômico para a zona do euro nesta segunda-feira (27) e afirmou que os níveis das taxas de desemprego na Itália só voltarão aos patamares pré-crise daqui a 20 anos.

    "Sem uma significativa aceleração do crescimento, serão necessários 10 anos para a Espanha e quase 20 anos para a Itália e Portugal reduzirem as taxas de desemprego aos níveis pré-crise", destacou a entidade ressaltando que, de maneira geral, os índices são "altos" e durarão "provavelmente por muito tempo" em toda a área do euro.

    Para o órgão, é preciso que os governos reforcem as suas demandas internas - sobretudo nos países em que o superávit primário é baixo -, deixem os balanços bancários mais claros e acelerem as reformas estruturais para aumentar a produtividade e reforçar a economia.

    Segundo a entidade, a Itália precisa "aumentar a eficiência do setor público e melhorar a questão da justiça civil" para dar passos mais largos na redução das taxas de desemprego e no impulso ao crescimento. Apesar das mudanças recentes na legislação, é preciso ainda melhorar e "flexibilizar o mercado de trabalho e aumentar a concorrência nos mercados produtivos e de serviços. "É necessário adotar e implantar a reforma prevista na administração pública, que deve incluir as reformas de fornecimento do serviço público local, dos leilões e da gestão dos recursos humanos", destacou o relatório.

    Apesar do prognóstico, o FMI afirma que a retomada econômica na União Europeia está se reforçando, com um Produto Interno Bruto (PIB) que deve crescer 1,5% neste ano e 1,7% em 2016. Porém, o órgão ressalta que o bloco está "vulnerável a questões negativas" e que restam os riscos de "estagnação" ligados a um grande período de crescimento baixo.

    - Prognóstico sobre a Grécia: O FMI fez um apelo para que os países membros da zona do euro "usem, se necessário, todos os instrumentos disponíveis para gerir o risco de contágio que pode partir da Grécia". Para a entidade, mesmo com a boa reação dos mercados sobre o novo acordo com o país, é preciso analisar a "volatilidade da situação".

    O relatório não acredita que haja esse "contágio" econômico, mas ressalta que o bloco tem os dispositivos necessários para atuar contra um eventual pessimismo sobre a moeda única.

    O órgão diz que o Banco Central Europeu (BCE) precisa manter a liquidez financeira dos bancos gregos, mas que não deve titubear caso a situação se inverta. (ANSA)