A União Europeia afirmou nesta sexta-feira (05) que não acredita que a Grécia dará um calote no Fundo Monetário Internacional (FMI). Para a entidade, a "decisão de reagrupar os pagamentos está em linha com as regras do FMI", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas.
Segundo os europeus, a regra "já foi utilizada antes" e isso "não coloca em dúvida a capacidade da Grécia de honrar seus débitos".
Ontem (04), o governo de Alexis Tsipras afirmou que não iria pagar a parcela de 312 milhões de euros que vence hoje porque iria agrupar os quatro pagamentos que tem que fazer este mês em um só dia. Ao todo, os gregos precisam pagar 1,6 bilhão de euros em junho. Muitos analistas acreditam que esse adiamento pode significar um calote e dizem que a Grécia não tem mais dinheiro para arcar com seus compromissos. Em cinco anos de reestruturação, essa foi a primeira vez que a nação não conseguiu pagar uma parcela na data. Ao todo, o país tem um débito de cerca de 240 bilhões com a antiga "troika" (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).
O adiamento ocorre em um momento delicado das negociações, pois chega ao fim em junho a prorrogação do empréstimo feito há quatro meses pelo eurogrupo. Em entrevista à "Bloomberg", o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, confirmou que "a Grécia está pronta e quer" um acordo com a Europa, mas tem a necessidade de esperança - que deveria vir da chanceler alemã, Angela Merkel.
Para o líder da pasta, um "discurso de esperança" deve assinalar "o rompimento dos últimos cinco anos de novos empréstimos, que fizeram com que o débito ficasse insustentável e condicionado a doses de uma austeridade punitiva".
Outro problema para Tsipras é seu próprio partido, de extrema-esquerda, Syriza. Segundo a imprensa local, partes do documento apresentado para fechar o acordo vazaram e causaram uma divisão na sigla. Para muitos parlamentares, o documento é "inaceitável e imoral" e coloca a Grécia em problemas ainda maiores. Até mesmo um "voto de confiança" no premier chegou a ser levantado entre os partidários mais exaltados.
Entre os dados que vazaram para a imprensa, os maiores pontos de desacordo seriam a implementação de impostos para os cidadãos, um corte na Previdência grega (onde Tsipras quer uma transição gradual e não um corte) e mais reduções no Trabalho (quando o primeiro-ministro quer reintroduzir as contratações em massa e um aumento no salário mínimo). (ANSA)