Lindbergh lembra avanços do Brasil mas critica MPs do ajuste

Em discurso na tribuna do Senado nesta quarta (20), Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou que votará contra as medidas provisórias do ajuste fiscal, apesar de pertencer ao bloco governista. Lindbergh conclamou a presidente Dilma Rousseff a adotar uma política econômica que não penalize os trabalhadores, e que cobre a conta do ajuste dos “mais ricos” e dos bancos.

Destacando os avanços do país nos últimos 12 anos, o senador reafirmou seu "profundo compromisso" com o projeto político que tem mudado o cenário econômico brasileiro, mas trouxe suas "preocupações quanto ao rumo da atual política econômica" que, em sua visão, "pode retirar conquistas que foram obtidas pelos trabalhadores no período".

"Essa política econômica que junta um forte aperto fiscal por um lado, um outro aperto monetário, pode nos levar a um caminho que eu digo que é de aprofundar a recessão no nosso país. Os primeiros números já começamos a sentir: aumento no desemprego, queda na renda do trabalhador. Investimentos estão desabando", criticou o senador em seu discurso. 

Lindbergh levou ao Senado um manifesto assinado por vários representantes da sociedade civil que pede uma mudança da política econômica e uma postura contra o ajuste, muitos dos quais apoiaram a presidente Dilma. Entre os signatários, nomes como os de Luiz Gonzaga Belluzo, Márcio Pochmann, Tarso Genro, Samuel pinheiro Guimarães, José Gomes Temporão, além de movimentos sindicais e professores. 

O petista prosseguiu seu discurso trazendo outros dados econômicos, deixando claro seu apoio ao governo de Dilma, mas posicionando-se contra o projeto do ajuste fiscal. Ele também lembrou de países como Grécia, Portugal e Espanha, que impuseram medidas de austeridade fiscal. "O que aconteceu nesses países? Para combater a dívida pública que crescia, foi feito um ajuste fiscal. A economia desacelerou muito e o que acabou acontecendo é que a dívida cresceu". 

Por fim, Lindbergh citou como exemplo algumas medidas tomadas por Fernando Henrique Cardoso quando presidente que, em sua visão provocaram "um arrocho fiscal fortíssimo". O discurso foi encerrando com um apelo à presidente Dilma: "Assuma as rédeas! Não terceirize a política econômica!".