A agência americana Bloomberg publicou nesta quinta-feira (26/02) uma matéria sobre as conseqüências das negociações entre Grécia e o Eurogrupo, com o partido recém-eleito Syriza retrocedendo em grande parte de suas promessas eleitorais.
“A aparente capitulação do governo da Grécia em negociações da dívida com seus parceiros do euro tornam menos provável que Atenas seja forçada a sair da moeda comum. Os verdadeiros vencedores, porém, são os governos europeus que aderiram aos cortes de gastos diante da oposição interna cada vez maior. Eles não precisam se preocupar com um rebelde bem sucedido contra a austeridade que daria munição a seus oponentes”, escreve o jornalista Mark Gilbert.
Ele prossegue: "De forma certa ou errada, os interlocutores gregos apresentaram uma frente unida em torno da recusa de ceder à demandas da Grécia através das discussões, com 18 membros do euro aliados contra um. De forma certa ou errada, a Alemanha foi indiferente ao fato de os gregos permanecerem na zona do euro ou não, desejando consentir com a chamada “Grexit” (saída da Grécia) em vez de se render ao novo governo liderado pelo Syriza, disse a pessoa. E, certo ou errado, qualquer mudança que a Grécia fizer nos seus compromissos provavelmente terá que ser neutra em termos fiscais, com o governo tendo que mostrar exatamente como planeja cumprir seus compromissos; medidas intangíveis, como a promessa de recolher impostos extraordinários, não vão ser bem sucedidas.
Em vez disso, a Grécia diluiu pelo menos cinco de suas mais importantes promessas eleitorais diante da implacável oposição liderada pela Alemanha à sua posição. Não houve extensão do prazo de pagamento das dívidas do país; a Grécia ainda está sob custódia da troika, mesmo se seus guardiões agora têm um nome diferente (eles agora são chamados de "instituições”); não houve reversão das reformas econômicas do governo anterior; o dinheiro alocado para o sistema bancário nacional não será desviado para aliviar dificuldades econômicas; e a necessidade de se atingir um superávit orçamentário sensato foi reconhecida.
Essas concessões podem ser duras para o Syriza na Grécia, devido a estratégia que usou nas eleições. Mas elas são muito úteis se, por exemplo, você é o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy e se vê diante de uma eleição no final do ano. O Partido Popular de Rajoy tem cerca de 30% de apoio dos eleitores nas mais recentes pesquisas de opinião, seguido do partido anti-austeridade Podemos com 26%. Outras pesquisas recentes mostraram o Podemos na liderança".
“Se a Grécia tivesse sido capaz de espremer concessões de seus parceiros de euro, partidos de oposição em outros países - Portugal também tem eleições este ano, a Irlanda no próximo, enquanto as coalizões da Itália estão visivelmente instáveis – poderiam usá-las como prova de que abandonar a austeridade é uma estratégia econômica aceitável dentro da zona do euro. Em vez disso, a Alemanha enfatizou aos eleitores do continente – mais uma vez, de forma acertada ou errada – que a zona do euro não vai acomodar todos os pontos de vista econômicos”, conclui o artigo da Bloomberg.