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‘FT’: Queda do petróleo pode motivar reunião de emergência da Opep

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Membros da Opep discutiram a possibilidade de marcar uma reunião de emergência se o petróleo continuar a cair, de acordo com o ministro do petróleo da Nigéria, sinalizando um crescente alarme sobre o impacto de um preço do petróleo mais baixo em suas economias. É o que diz uma matéria publicada nesta terça-feira (24/02) pelo jornal britânico Financial Times.

“Os comentários de Diezani Alison-Madueke chegam três meses depois da decisão do cartel de manter a produção de 30 milhões de barris por dia, apesar do preço do petróleo ter despencado desde o meio de junho”, escreve o correspondente de petróleo e gás, Anjli Raval.

"Esse movimento, levado adiante pela Arábia Saudita e seus aliados do golfo, marcou um desvio acentuado da tradicional estratégia da Opep de ajustar a produção para manter os preços altos. O principal objetivo do grupo é agora o de defender a participação no mercado, apesar das receitas dramaticamente reduzidas.

A queda do preço forçou as companhias de energia em todo o mundo a refazerem seus planos de investimento, e causou uma grande desaceleração na indústria americana de xisto. Mas também desordenou os balanços fiscais de grandes produtores de petróleo como Nigéria, Venezuela e  Rússia", prossegue Raval.

“Quase todos os países da Opep, exceto talvez o bloco árabe, estão muito desconfortáveis,” disse Alison-Madueke, que como presidente da Opep é responsável por estabelecer contatos com países membros e o secretário-geral do grupo produtor no caso de uma reunião de emergência.

Se o preço “cair ainda mais é muito provável que eu terei que convocar uma reunião extraordinária da Opep nos próximos seis meses ou algo assim”, afirmou ela em uma entrevista ao Financial Times. “Já estamos conversando com outros países membros.”

Mas analistas do mercado dizem que é muito pouco provável que a Arábia Saudita, líder de fato da Opep, vá concordar com uma reunião como essa.

Depois de alcançar uma alta de US$ 115 por barril em junho, o preço do Brent comercializado internacionalmente caiu rapidamente e quase atingiu US$ 45 o barril no mês passado — a maior baixa em quase seis anos. Embora o preço tenha desde então se recuperado para cerca de US$ 60, Alison-Madueke afirmou que não está convencida de que o fundo tenha sido atingido.

“É esperado que (o preço) vá se estabilizar a não menos que US$ 60, mas não podemos ter certeza,” ela disse.

Alison-Madueke afirmou que o papel da Opep precisa ser reformulado nos próximos dois anos “se quisermos permanecer fortemente relevantes”, formalizando discussões com grandes produtores de petróleo de fora do cartel como a Rússia e os Estados Unidos, assim como grupos globais como a Agência Internacional de Energia e o G20.

“A Opep não pode ser a única responsável pela estabilidade no mercado,” disse ela. “O mundo mudou desde os dias em que a Opep era o princípio e o fim.”

Uma reunião da Opep está marcada para junho, apesar de que em tempos de mercado turbulento o grupo costume convocar reuniões de emergência. Mas todos os 12 membros precisam concordar com essa convocação.

Alison-Madueke afirmou que os membros estavam “muito cientes da posição saudita.”

Em uma aposta que visava proteger a participação de mercado, a Arábia Saudita convenceu outros membros de que um período de preços mais baixos cortaria alguma oferta dos produtores rivais, como os Estados Unidos, com custos mais altos de produção.

Ali Al Naimi, um veterano ministro saudita do petróleo, disse em dezembro que estava preparado para mais quedas do preço do petróleo e não mudaria sua estratégia mesmo se os preços do petróleo chegassem a US$ 20 o barril.

Alison-Madueke afirmou que apoiou a decisão de novembro. “Quando você cede sua participação no mercado continuamente, você mergulha no esquecimento,” disse ela. Mas ela acrescentou que muitos membros da Opep “vão sofrer muito com a queda drástica no preço”.

"A queda no preço do petróleo mergulhou a economia da Nigéria numa turbulência, enquanto que a decisão do governo de adiar as eleições nacionais em seis meses para o dia 28 de março por razões de segurança só aprofundou as incertezas. O país, que é o maior produtor da África, depende do petróleo em cerca de 80% das receitas do governo", conclui Raval.