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Conjuntura econômica - quadro de estagnação em 2015

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Com as melhores doses de otimismo, foram produzidas as previsões abaixo que assinalam para 2015 um quadro de estagnação e resultado negativo para o PIB nacional (-0,1%).


O resultado negativo da indústria, puxando o PIB para baixo, a inflação do IPCA de 1,24% em janeiro, o agravamento do desequilíbrio fiscal, aliados à crise da seca e aos escândalos da Petrobras, tudo isso é um pré-anúncio de que será muito difícil para o novo Ministro da Fazenda reverter o déficit das Contas Públicas e conseguir um “superávit primário” de 1,2% em 2015. E se isso não for feito a credibilidade da política econômica não se recupera.

Entretanto, e felizmente, tudo indica que o pior da crise hídrica já passou. Em São Paulo, o nível do Sistema Cantareira vem subindo lenta e continuamente, e no Rio de Janeiro o mesmo acontece com os rios Paraibuna e Paraíba do Sul. Isso não afasta o risco de que a Cantareira possa voltar a ter problemas sérios, em julho. Segundo análise do Banco Central, no ano passado a economia brasileira encolheu 0,55% em dezembro, -2,39% no 4º trimestre e -0,15% no ano. O PIB encerrou 2014 com expansão de apenas 0,2%.

Segundo o presidente do Banco Central, não haverá crescimento econômico em 2015, mas em 2016 a economia voltará a crescer. Os analistas financeiros da pesquisa FOCUS preveem expansão ZERO, neste ano.

 

REEQUILÍBRIO FISCAL

Para usar uma expressão de cunho popular, o Governo “meteu-se em uma camisa de sete varas” e encontra-se num “beco sem saída”. Nessa conjuntura, a “saída” chama-se Joaquim Levy.

Vejamos: o Governo tem um déficit fiscal anual (déficit nominal) da ordem de R$ 32,5 bilhões, originário do fato inexplicável de gastar mais do que arrecada. Em 2014, não conseguiu pagar um único centavo dos juros sobre a dívida pública, que já chegou a 6% do PIB. Prudentemente, Joaquim Levy propõe começar a corrigir esse descalabro mediante um esforço igual a 1,2% do PIB em 2015, para chegar a 2% em 2016.

É o menor reajuste necessário, “salvador da Pátria”. Mesmo assim, levanta-se contra o Ministro da Fazenda forte reação dentro do próprio Governo, nos hostes trabalhistas e nos meios políticos.

Mais um refrão popular: a Presidente Dilma “está perdida no mato, sem cachorro”. O único guia disponível chama-se Joaquim Levy.

 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS = AQUECIMENTO GLOBAL

De longa data, o IPCC, com o patrocínio da ONU, vem defendendo a tese de que o efeito estufa, causado pelo homem, é o responsável pelo aquecimento global, pela forte seca e pelas dramáticas inundações que vêm ocorrendo ao redor do mundo. Isso justificaria a criação de um gigantesco Fundo financeiro, a começar com US$100 bilhões anuais, para socorrer os países mais afetados.

Em contrapartida, aumenta o número de cientistas céticos, que não concordam com as projeções feitas com base em dados originários de computadores. No Brasil, temos várias opiniões discordantes, como é o caso do notável professor Luiz Molion, da Universidade de Alagoas. Mais recentemente, chegou o meteorologista Augusto José Pereira, que não aceita as conclusões do IPCC e desmente as relações entre a estiagem atual e o desmatamento da Amazônia ou o acúmulo de CO2 na atmosfera. Para ele, a explicação é outra, ou seja, trata-se de um ciclo de ausência de chuvas de cinco ou dez anos, que deve se repetir no Sudeste, em 2019 e 2024. Nada de efeito estufa.

 

ATIVIDADES ECONÔMICAS

O ano 2014 teve um resultado sofrível, refletido no crescimento nulo do PIB nacional (0,2%), sem dúvida puxado pelo desempenho negativo da produção industrial que caiu 3,2%. O mesmo resultado se desenha para 2015. Continua muito baixo o nível dos investimentos públicos e privados, de um lado porque o Governo não tem recursos e, de outro, porque o setor privado perdeu a confiança na política econômica.

A queda nas atividades econômicas e o declínio do crédito bancário puxaram para baixo o endividamento das famílias, com 27,5% do PIB e 10% em situação de “muito endividadas”. Em janeiro, a inadimplência aumentou 3%, especialmente em relação às contas de água e energia. Estima-se em 54,6 milhões o número de pessoas inadimplentes (CNDL).

Com tudo isso, segundo a FGV, a confiança dos agentes econômicos está em baixa e aumenta o risco de maior desemprego.

 

Indústria

A produção industrial caiu -3,2% em 2014 e a situação do setor continua deteriorando em 2015, devido principalmente à desestruturação da Petrobras e à retração da indústria automobilística. Em 2014, a produção recuou em 10 das 15 regiões pesquisadas, com destaque para São Paulo (-6,2%), Paraná (-5,5%), Rio Grande do Sul (-4,3%) e Amazonas (-3,9%). Também houve recuo no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, Ceará, Bahia e Santa Catarina.

As vendas de veículos caíram 31,4% em janeiro ante dezembro e 18,8% em relação a janeiro/14. As vendas de caminhões caíram 28%. As indústrias e as construtoras ligadas à Petrobras estão em crise, por falta de pagamento. Calcula-se que já chegue a 132 mil o total de trabalhadores desempregados na indústria da construção civil. Incluindo a crise nos demais fornecedores e nas refinarias, esse número pode ter chegado a 200 mil. Somente o prejuízo da SETE BRASIL pode chegar a R$ 28 bilhões.

A indústria sofre, ainda, o risco do racionamento de energia. A ONS considera a redução de até 10%, para garantir o abastecimento.

 

Comércio

Segundo o IBGE, as vendas do varejo restrito encerraram 2014 com alta de 2,2%, o pior resultado desde 2003. Destacaram-se positivamente os setores farmacêuticos, perfumaria, cosméticos (+9,0%) e artigos domésticos e de uso pessoal (+8,0%). Regionalmente, destacaram-se Acre (+12,6%) e Rondônia (+9,8%).

Para 2015, a CNC prevê um crescimento de 1,7%, mantendo o ritmo de desaceleração. E mais: o aumento das tarifas vai reduzir as vendas em cerca de R$ 6,5 bilhões, neste ano. A CNC apurou que o índice de confiança dos comerciantes caiu 1,1% em janeiro em relação a dezembro/14 e -14,3% ante janeiro/14.

 

Agricultura

Segundo o IBGE, a safra nacional de grãos, neste ano, deve atingir 201,3 milhões de toneladas, 8,5 milhões acima da safra anterior, mesmo sob o impacto da forte estiagem. A falta de chuvas vai afetar a produção de soja e milho, entre outras culturas. A produção de arroz deve chegar a 12,5 milhões de toneladas (+3,3%) e a de feijão 3,4 milhões (+5,7%).

Devido à seca, o Governo decretou situação de emergência em nove municípios do Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais. E também em dois municípios de Santa Catarina, devido às fortes chuvas e enxurradas.

 

Mercado de Trabalho

Segundo o Ministério do Trabalho/Caged, em 2014 foram criados cerca de 397 mil novos empregos formais, resultado de 21.677 mil contratações (!) e 21.270 mil desligamentos (!). Esse resultado representa uma queda de 65%, em relação a 2013, e é a menor geração de empregos em 11 anos.

A taxa de desemprego – medida pela nova metodologia do IBGE/PNAD – caiu 7,1% em 2013 para 6,8% em 2014, equivalente a 6,45 milhões de pessoas sem empregos.

Pelo 3º ano seguido, recuou em 3,2% o número de empregos na indústria, em 2014. Em São Paulo, a queda foi de 4,3%. A crise no setor petrolífero estaria gerando o desemprego de cerca de 200 mil trabalhadores. Indicadores antecedentes da FGV mostram que a oferta caiu 2,4% em janeiro.

A Fundação do PT está questionando a constitucionalidade das MPs 644 e 645, que considera desastrosas para o emprego e os salários dos trabalhadores.

 

Setor Financeiro

Banco do Brasil – em 2014, expandiu o total de empréstimos a empresas em 9,9%, sendo +6,7% para capital de giro e + 18,6% para investimentos. Os empréstimos a pessoas físicas cresceram 12,5%. No ano, o lucro líquido aumentou 9,5%.

BNDES – O Programa de Sustentação do Investimento – PSI, previsto para encerrar em dezembro, deverá ser suspenso a partir de meados do ano, de acordo com a nova orientação de acabar com o crédito subsidiado.

Caixa Econômica Federal – Entre dezembro/14 e janeiro último, caiu o saldo das cadernetas de poupança, cuja sustentabilidade está abaixo da inflação. No acumulado de 12 meses, até janeiro, o rendimento foi de 7,09%, contra 7,14%do IPCA.

 

Inflação

Os índices de inflação subiram fortemente em janeiro, tanto no varejo como no atacado. A alta de IPCA/IBGE passou de 0,78% em dezembro/14 para 1,24% em janeiro, acumulando alta de 7,14% nos últimos 12 meses. No atacado, a elevação foi menos sentida, com alta de 0,76% no IGP-M/FGV. Foram destaque de baixa o IPADI/FGV (atacado) com +0,23% e de alta IVC/DIEESE com +2,25%.

A maior pressão de alta da inflação vem dos reajustes dos preços administrados. Em janeiro, o item alimentação subiu 1,48% e habitação registrou alta de 2,42%, por influência da elevação de 8,27% na tarifa de energia elétrica. O item transporte subiu 1,86%. Os novos reajustes a serem fixados pela ANEEL podem chegar a 50%, em 2015.

O atual diretor da Área Internacional do Banco Central voltou a declarar que é hora de elevar os juros para refrear a propagação de alta dos preços administrados. É mais um candidato à NOTA ZERO.

 

Setor Público

Segundo a FGV/IBRE, vai ser difícil a tarefa de cortar despesas públicas, pelo fato de que as despesas comuns administrativas já virem caindo desde algum tempo. Nos últimos dez anos, o que vem aumentando são as despesas sociais, politicamente difíceis de serem cortadas, além das que foram anunciadas.

Em 2014, o Governo registrou um “déficit primário” de R$ 32 bilhões. Assim, para cumprir o objetivo de chegar a um superávit primário de R$66 bilhões (1,2% do PIB), terá que fazer uma economia fiscal de R$ 98 bilhões. O Governo não vai mais emitir títulos públicos para financiar o BNDES e também vai suspender as autorizações para endividamento dos Estados e Municípios. Jogo duro.

Contabilidade criativa: Em novembro e dezembro/14, o Tesouro Nacional emitiu R$ 53,6 bilhões em títulos, entregues ao Banco Central para “vender aos bancos”, nas chamadas operações de recompra (compromissadas). Em todo o ano de 2014, essas operações chegaram a R$213 bilhões. Inexplicável.

Setor Externo

As contas externas estão estruturalmente desequilibradas e não é só devido ao déficit na balança comercial. O que mais pesa nas C/Correntes do Balanço de Pagamentos são gastos rígidos e inevitáveis como as remessas de juros, lucros e royalties, além das viagens e transportes. No conjunto, são US$ 90 bilhões. Em quatro anos, consumiria as atuais reservas cambiais do País.

Em janeiro, as exportações caíram 17,9% e as importações aumentaram 2,8%. A balança comercial encerrou janeiro com déficit de 3,17 bilhões, com superávit de US$ 4,4 bilhões do agronegócio. As exportações de carne bovina caíram 23% em relação a janeiro/14 e as de café subiram a 3 milhões de sacas, o melhor resultado dos últimos dez anos.

No cenário internacional, poucas mudanças. Registre-se, porém, que piorou a crise Rússia/Ucrânia e, por consequência as relações USA/Rússia. De outro lado, persiste o impasse das negociações da UE com a Grécia.

Nos Estados Unidos, o nível de emprego subiu em janeiro, assim como os rendimentos do trabalho. Na área externa, o déficit comercial passou de US$ 39,5 bilhões em novembro para US$ 46,5 bilhões em dezembro, o maior de todos os tempos.

Na Zona do Euro, a economia cresceu 0,9% no 4º trimestre de 2014, com destaque para a Alemanha (+0,7%). Em 2014, os 28 países da UE cresceram 1,4%, enquanto os da Zona do Euro 0,9%. A Alemanha voltou a ser a locomotiva do bloco, com um aumento do PIB de 1,5%. Mas a Itália voltou a encolher (0,4%) e outros países ficaram praticamente no mesmo patamar.

Na China, cerca de um terço das minas de minério de ferro suspenderam suas atividades, face à queda do preço.