‘NYT’: Novo acordo sobre dívida grega exigirá mais políticas arriscadas

Tsipras terá que fazer progressos nas conversas com credores internacionais

O jornal americano The New York Times publicou nesta quinta-feira (29/01) um artigo com uma análise sobre a situação econômica grega depois das últimas eleições. “Um novo acordo de negociação da dívida da Grécia vai significar outro período inquieto de políticas arriscadas”. 

O jornalista Neil Unmack, que é colunista da Reuters Breakingviews, escreve que os mercados estão tranquilos com o fato de que o novo governo do partido radical de esquerda Syriza, que se opõe à austeridade, será capaz de obter um novo acordo com credores. “Mas os pontos mais sensíveis residem em março e julho. Passar por eles exigirá um rápido progresso para enfrentar os maiores desafios da Grécia”, diz ele em seu artigo.

“Alexis Tsipras, o novo primeiro-ministro, tem pouco tempo para negociar uma atenuação da dívida, algo que ele prometeu aos eleitores antes das eleições. A previsão mais difundida é que a Grécia vai ganhar uma extensão do prazo para seu atual pacote de recuperação financeira – incluindo liquidez para seu sistema bancário – que de outra forma expiraria em fevereiro. Mesmo assim, a pressão vai aumentar logo em seguida.

Reembolsos da dívida, incluindo dinheiro devido ao Fundo Monetário Internacional (FMI), podem esgotar as reservas da Grécia por volta do fim de março, segundo os cálculos do Eurobank. Depois em julho e agosto, 6,6 bilhões de euros em títulos mantidos pelo Banco Central Europeu vencem. Tsipras poderia dar um jeito nisso ao fazer com que os bancos do país comprem parte da nova dívida de curto prazo do governo. Porém, isso romperia os limites dos títulos do Tesouro que foram acordados com credores da zona do euro”, prossegue Unmack.

“Logo, para receber o apoio de credores nacionais Tsipras terá que fazer progressos nas conversas com os credores internacionais sobre os empréstimos de mais longo prazo da Grécia. A única alternativa seria a de dar um calote nas obrigações nacionais. Mas isso poderia desencadear uma fuga de capitais, enfraquecendo sua capacidade de negociar.

O resultado provável é que a Grécia dê alguma base para reforma, em troca de uma redução das metas fiscais do país para que a dívida possa ser maior do que 110% do PIB por volta de 2022, a meta arbitrária que foi estabelecida em 2012. A zona do euro poderia também prolongar vencimentos da dívida e baixar taxas de juros sobre empréstimos para o resgate financeiro da Grécia. Isso vai ajudar apenas com o tempo. Bruegel, o grupo de pesquisa, avalia que essas medidas poderiam poupar 32 bilhões de euros até 2050.

As somas que deverão vir no curto prazo podem parecer pequenas para um país com uma dívida total equivalente a 176% do PIB. Mas a natureza interconectada de negociar sobre questões a curto e longo prazo cria a probabilidade de vários impasses mais adiante. Os mercados podem estar relaxados, mas a Grécia mantém a capacidade de oferecer choques repetidos em 2015”, conclui o artigo do New York Times.