'NYT': Crescimento dos EUA é maior do que o esperado no 3°trimestre

O New York Times publicou nesta quarta-feira um artigo sobre os números do crescimento dos Estados Unidos, que superaram as expectativas. “A produção econômica norte-americana cresceu a uma taxa mais rápida durante julho, agosto e setembro do que o previsto anteriormente pelo governo dando à economia seu melhor desempenho de seis meses em mais de uma década.

O foco intenso no frenesi de consumo com o início do período festivo que acontece nesta semana quase fez o interesse na performance da economia no terceiro trimestre parecer um exercício de nostalgia. Mas a divulgação feita pelo Departamento de Comércio na terça-feira da estimativa revista do produto interno bruto — a medida mais ampla de bens e serviços produzidos no país — mostrou que os consumidores já aumentaram o ritmo da procura”, escreve a jornalista Patricia Cohen.

Ela continua: “A mudança na taxa anual de crescimento para 3,9% (superando os 3,5% previstos) se deu principalmente a um salto do gasto do consumidor maior do que o esperado, impulsionado por um aumento modesto no negócio de investimento”.

“A revisão para cima se deu quase exclusivamente a um mais forte consumo,” disse Carl R. Tannenbaum, economista chefe da Northern Trust. “Acho muito estimulante vir para o lado comercial do período de festividades.”

Apesar da recuperação econômica, agora em seu sexto ano, ter sido tímida, Tannenbaum assinalou que em quatro dos últimos cinco semestres, “o crescimento chegou a um nível bem mais forte.” Essa taxa de crescimento de 3,9% se aproxima do salto de 4,6% no PIB durante o segundo trimestre, depois de um inverno congelante que ajudou  a causar uma queda na produção do país a uma taxa de 2,1% nos primeiros três meses do ano.

Ian Shepherdson, economista chefe da Pantheon Macroeconomics, concordou que houve uma “mudança de  tendência, para cima” apesar de duvidar que o crescimento do PIB seja capaz de se sustentar no terceiro trimestre num ritmo de quase 4%.

“Os preços de gasolina em queda, que deixaram os americanos com mais dinheiro vivo para outras compras, explica parcialmente por que as pessoas puderam gastar mais, concordam economistas.

Os números do PIB fizeram a queda na confiança do consumidor, na última medição da Conference Board de 94,1 em outubro para 88,7 em novembro nada mais que uma anomalia. Outras pesquisas, incluindo uma da Universidade de Michigan, mostraram a confiança aumentando.

O gasto do consumidor é um número acompanhado de perto porque constitui 70% da atividade econômica e é necessário para avançar num ritmo constante para impulsionar a economia para frente.

Mas é o investimento em negócios, incluindo  a subida e a queda da acumulação de estoques, que mais influenciam os momentos decisivos da economia. Investimentos não residenciais cresceram em 7,1%, enquanto o investimento em equipamento alcançaram 10,7%”, diz o artigo do New York Times.

“A coisa que mais me encorajou foi a retomada nos gastos com investimentos das empresas,” disse Jerry Webman, economista chefe da Oppenheimer Funds, “Isso indica que a confiança nas empresas está crescendo, e que podemos esperar ver uma continuação das contratações.”

Gastos do governo, que cresceram num ritmo de 4,2%, não se mostraram tão substanciais quanto o que foi previsto inicialmente pelo departamento de comércio.

O crescimento da economia empurrou firmemente para baixo a taxa de desemprego. No ultimo mês, a taxa oficial atingiu 5,8%, uma queda de 1,4% em relação ao ano passado. Empregadores acrescentaram mais de 200 mil empregos durante nove meses seguidos, segundo dados do Ministério Público do Trabalho.

E há sinais crescentes de que a qualidade dos empregos está melhorando. Um relatório divulgado na segunda-feira por Julie Hotchkiss, uma pesquisadora de  economia e conselheira sênior para políticas do Federal Reserve Bank de Atlanta, contestou alegações de que muitos desses empregos recém criados eram de meio expediente.

“Das 8,2 milhões de pessoas empregadas desde Outubro de 2010, 7,8 milhões (95%) estão empregadas em tempo integral,” escreveu ela.

Mas o mercado de trabalho ainda está longe de empregar totalmente milhões de americanos que querem trabalhar, o que é uma das principais razões para que os salários estagnassem, apenas acompanhando a taxa de inflação que se mantém baixa.

Além disso, o setor da habitação está bem abaixo dos padrões históricos. Investimentos residenciais chegaram a 2,7%, de acordo com os dados revisados do PIB.

Ao mesmo tempo, o índice Case-Shiller Home Price das 20 maiores cidades, divulgado na terça-feira pela Standard & Poors, atingiu uma taxa anual sazonalmente ajustada de 4,8 % em setembro, a uma queda substancial em relação ao ritmo de dígitos duplos em que os preços estavam subindo no início deste ano.

“A tendência geral de aumento nos preços de moradia continua a cair,” disse em comunicado David M. Blitzer, presidente de uma comissão do S&P Dow Jones Indices. “A região nordeste registrou seus primeiros resultados mensais negativos desde dezembro de 2013.”

“A única região que mostra qualquer força sustentável é o sudeste, puxado pela Flórida; lucros também são visíveis em Atlanta e Charlotte,” acrescentou ele.

A economia americana é um dos poucos pontos luminosos na economia mundial. Nas últimas semanas, os bancos centrais do Japão e da Europa agiram para empurrar suas economias flácidas baixando as taxas de juros. Nos Estados Unidos, os últimos números do PIB deram aos economistas mais uma razão para acreditar que o Federal Reserve vai começar a se mover na direção oposta no ano que vem.

Como disse Tannenbaum em seu relatório de terça-feira — a segunda das três medidas cada vez mais refinadas que o governo toma sobre a atividade econômica trimestral — poderá “levar adiante o dia em que o Fed poderá pensar em normalizar as taxas de juros.”