IAB-RJ critica transferência de vilas olímpicas para Jacarepaguá

O presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil seção Rio de Janeiro (IAB-RJ), Pedro da Luz Moreira, defendeu hoje (25) que a construção das vilas olímpicas de mídia e de árbitros permaneça na região portuária do Rio de Janeiro, como estava previsto, e não transferida para o bairro do Anil, em Jacarepaguá, conforme foi decisão da prefeitura carioca

Moreira avaliou que o setor imobiliário não precisa de incentivo para investir na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, bairros da zona oeste, mas de incentivos para investir na área do Porto do Rio, localizada no centro da cidade. “Mais uma vez, a cidade perde e fica claro para todo mundo que não existe um projeto de futuro para o Rio de Janeiro”, criticou o presidente do IAB-RJ. Ele considerou legítima a presença dos interesses imobiliários, mas ressaltou que “é preciso canalizar esses negócios para os interesses públicos”.

Para Moreira, o setor público fica, “muitas vezes, sujeito a pressões localizadas que acabam puxando os interesses públicos para coisas que não têm  uma conotação pública”. O arquiteto insistiu que o IAB-RJ é contra a transferência das vilas de mídia e de árbitros para Jacarepaguá “porque os empreendimentos habitacionais criados para o porto ficam paralisados”.  Ele defendeu o incentivo à habitação na região, até porque o comércio do centro está fechando nos finais de semana, “porque não existe consumidor. É uma área que fica sub-utilizada”.

Pedro da Luz Moreira destacou a importância de se otimizar a utilização da infraestrutura urbana já instalada. “Por isso, a gente defende que se construa sobre onde já existe cidade – ruas, iluminação e uma série de outras coisas - e não expandir a mancha urbana para um território que não é cidade ainda, em razão dos altos custos que isso implicará”

Sobe o assunto,  a prefeitura do Rio de Janeiro informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as obras das vilas olímpicas já começaram no bairro do Anil ”e não há retorno (para a decisão tomada)”.

Segundo a assessoria, o anúncio inicial de construção das vilas olímpicas na região portuária teve por objetivo chamar a atenção para o projeto do Porto que não precisa mais dessas construções, porque já registra todos os investimentos desejados. Além disso, as vilas ficarão mais próximas do local de competição durante os Jogos Olímpicos de 2016, em uma área que mostra tendências de desenvolvimento, explicou a assessoria.

Hoje (25), marcando o processo de revitalização da região portuária do Rio, dentro do projeto Porto Maravilha, o prefeito Eduardo Paes receberá no final da tarde, da empresa construtora, o primeiro edifício corporativo construído no local.

O edifício Port Corporate Tower tem 36 mil metros quadrados de área locável e foi erguido na Avenida Rio de Janeiro, recebendo investimentos de R$ 300 milhões. O prédio tem 20 andares, sendo 18 de escritórios.