‘FT’: Safra compra edifício Gherkin por R$ 3 bilhões

O Financial Times noticiou na segunda-feira (10/11) que o Gherkin, um dos edifícios mais icônicos na paisagem de Londres, foi vendido por mais de 700 milhões de libras ao grupo Safra, companhia controlada pelo bilionário brasileiro Joseph Safra.

“Safra, que no mês passado adquiriu conjuntamente a Chiquita, uma distribuidora americana de bananas, emitiu um comunicado informando que comprou o arranha-céu projetado por Norman Foster de seus liquidantes, apesar de não ter informado o preço”, diz a matéria de Claer Barrett e Kate Allen

 O texto prossegue: “O edifício, que é oficialmente chamado 30 St Mary Axe foi vendido por 726 milhões de libras (R$ 2,96 bilhões na cotação do dia 7/11). Esse valor é 21% mais alto do que os 600 milhões de libras oferecidos por um fundo gerenciado pelo alemão IVG Immobilien e a Evans Randall, imobiliária do Reino Unido no auge do último boom imobiliário”.

O Grupo Safra comunicou que a “aquisição do 30 St Mary Axe “é compatível com nossa estratégia imobiliária de investir em propriedades que são realmente especiais – nos melhores lugares das maiores cidades.

“Apesar de ter apenas 10 anos, esse prédio já é um ícone de Londres e se diferencia de outros no mercado, com excelente potencial de crescimento de valor. Pretendemos tornar o edifício ainda melhor e mais desejado por meio de uma postura ativa de propriedade que levarão a diversas melhoras que vão beneficiar os inquilinos.”

Alguns bilionários brasileiros são conhecidos por seus iates luxuosos, outros por seus estilos de vida extravagantes. O silêncio sempre foi a marca registrada de Joseph Safra, escreve Samantha Pearson.

“A aquisição do Gherkin mostra o apetite de Safra por investimentos variados. No mês passado, o grupo Safra fez a aquisição por US$ 1,3 bilhão do Chiquita, em oferta conjunta com o grupo brasileiro Cutrale, produtor de suco de laranja. Foi a maior aquisição brasileira nos Estados Unidos em quatro anos.

Apesar da compra do Gherkin ser a primeira incursão do grupo no Mercado de imóveis comerciais no Reino Unido, Safra não é um estranho nas transações internacionais do setor. No ano passado o escritório M. Safra & Co, de gestão de patrimônio, adquiriu uma participação de 40% no edifício da General Motors em Nova York por cerca de US$ 1.4 bilhões, numa parceria com o Zhang Xin, o incorporador de imóveis chinês. O negócio avaliou a torre de 50 andares em US$ 3,4 bilhões”, diz o artigo do Financial Times.

“Safra, um judeu sefardi de 75 anos, chegou ao Brasil aos 20 anos como imigrante do Líbano. Ele deu continuidade ao império bancário da família, iniciado por seu tio-avô Ezra na Síria, ao fundar o Banco Safra, que é agora o oitavo maior do Brasil com mais de US$ 50 bilhões em ativos e atendendo em geral a clientes privados. Safra é o segundo banqueiro mais rico do mundo com uma fortuna pessoal próxima de US$ 15 bilhões segundo a Forbes.

Sua decisão de bancar a oferta pela Chiquita pegou de surpresa o mundo dos negócios.

Os antigos co-proprietários do Gherkin estavam inadimplentes nos últimos cinco anos no pagamento de empréstimos de £395m que obtiveram em 2006 de um consórcio de bancos alemães para comprar o edifício.

As duas empresas sofreram perdas por conta de movimentos cambiais swaps de passives contra os quais não detinham hedge, mas a Evans Randall lutou para manter o controle  do edifício.

Os agentes Savills e Deloitte Real Estate foram indicados para administrar a venda do edifício e conversaram com mais de 200 compradores potenciais”, conclui a matéria do Financial Times.