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'El País': "Exceção em uma época turbulenta"

Jornal espanhol aponta as reformas no Japão, Índia e China como um respiro na economia mundial

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Em artigo publicado nesta segunda-feira, o El País aponta que o mundo está passando por uma crise de proporções mundiais. Os conflitos na Ucrânia, no Iraque e na Síria e a propagação do ebola são as evidências de um momento turbulento na política mundial. Em meio a tentativas, dos governos ocidentais, de “apagar incêndios”, os olhos internacionais se voltam agora para uma região importante do globo: o oriente.

O El País classifica a China, o Japão e a Índia como os três mercados essenciais para a economia mundial, e atribui isso as reformas “transcendentais e necessárias” implantadas nesses países. Segundo o El País, em nenhum dos casos foi preciso que uma crise surgisse para que fossem implantadas reformas, mas sim o pensamento de se prevenir para evitar futuros problemas.

O artigo segue enumerando os governos de cada país, atribuindo o sucesso de cada um nas reformas econômicas feitas nesses locais. No Japão, em 2012, o primeiro ministro Shinzo Abe comandou expandiu a economia através de seu capital político. Com um plano de reformas fiscais, impulsionou a economia japonesa, após décadas de estancamento. Na China, Xi Jiping transformou a sua economia, baseada nas exportações, para favorecer um modelo baseado no consumo. E na Índia, a eleição de Narendra Mdi deixou claro o apoio popular para recuperar o crescimento econômico no país.

Segundo o jornal espanhol, os três governantes enfrenta a resistência dos atuais grupos de poder, que acabam perdendo influencia com essas mudanças. Esses países não serão uma fonte de ajuda para os países atuais que estão em conflito, mas os esforços para restaurar o crescimento e ganhar mais estabilidade para o leste e o sul da Ásia são ainda mais valiosas, aponta o El País.

O jornal espanhol aponta que os líderes dos três países (China, Japão e Índia), parecem estar conscientes que a estabilidade e o êxito de todos são interessantes para cada um. India e China já estabeleceram alguns acordos comerciais, como o compromisso de investimentos na infraestrutura indiana por parte do Japão. Além disso, até as animosidades históricas entre Japão e China parecem ter arrefecido.  Um acordo de investimento chinês de 20 milhões de euros em infraestrutura e zonas industriais estabeleceram uma nova relação comercial entre os tradicionais rivais.

No entanto, segundo o jornal espanhol, as tensões continuam. Em novembro de 2013 a construção de uma Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA) foi instalada em Pequim, que exige que todos os aviões que sobrevoem o espaço aéreo sigam as instruções ditadas pelo governo chinês. No Japão, o primeiro ministro, Shinzu Abe, visitou o santuário Yakusuni um mês depois, lugar extremamente ligado ao militarismo japonês.

No entanto, os dois governos evitam os conflitos a todo custo. Segundo jornal espanhol, o Japão conta com 23 mil empresas em território chinês, com cerca de 10 milhões de trabalhadores do país. “Um bom motivo para que os governos controlem as tensões”, aponta o El País. Em julho, o Japão recebeu o maior número de turistas no país, na maioria, chineses.

Segundo o El País, os possíveis conflitos não seriam vantajosos nem para China e nem para o Japão. Ambos estão em momentos importantes de suas reformas. No Japão, o fortalecimento das bases econômicas não podem ser interrompidos por tensões geopolíticas. Já na China, Xi Jiping tem avançado nas medidas anticorrupção e propostas econômicas e travado uma batalha com nomes influentes que preferem o retorno ao modelo anterior.

Segundo o El País, os três presidentes estão tendo alguns êxitos em focar seus esforços em superar os obstáculos que impedem suas reformas internas, deixando as tensões geopolíticas de lado. No entanto, o jornal espanhol aponta que esse perigo só será um fato se as reformas fracassarem. Na China, o risco seria muito maior devido às grandes manifestações em Hong Kong e as exigências feitas pelos manifestantes. Segundo o El País, conceder as mudanças pedidas pelos manifestantes, por menores que elas sejam – como o impeachment do governador de Hong Kong – abriria um precedente para que os levantes se espalhassem pelo país.

“No entanto, por enquanto, três das principais economias do mundo querem manter a paz geopolítica na região. Em um mundo de enorme turbulência, as potências ocidentais devem acolher esta trégua enquanto dura”, conclui o artigo do jornal espanhol.