Os principais jornais de Portugal deram destaque neste domingo (3) para a expectativa envolvendo uma declaração apresentando quais foram as soluções encontradas para a recapitalização do Banco Espírito Santo (BES). De acordo com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias, o presidente do Banco de Portugal, Carlos Costa, irá se pronunciar ainda neste domingo, às 22h30.
A aposta seria a de que a saída encontrada para a recapitalização do Banco Espírito Santo envolva o Fundo de Resolução, que deverá injetar valores superiores a três milhões de euros no banco. Além disso, é possível que seja criado o que os jornais internacionais chamam de “bad bank”, que será responsável por ficar com os ativos prejudiciais da carteira de crédito do Banco Espírito Santo.
Há quatro dias, o BES havia divulgado um resultado líquido negativo em 3.577,3 milhões de euros, relativo ao período compreendido entre janeiro e junho deste ano – lembrando ainda do prejuízo de 237,4 milhões de euros relativo ao primeiro semestre do ano passado.
Na última sexta, a negociação de ações do BES foram suspensas na Bolsa pelo Conselho Diretivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O mecanismo regulador da bolsa portuguesa teria decretado a suspensão da negociação das ações do BES em um momento em que o banco tinha perdas superiores a 40%.A decisão ocorreu logo após o banco ter alcançado uma variação negativa histórica de 0,105 euros.
El País: Banco Central de Portugal expulsa família Espírito Santo
Na última sexta-feira (1), o jornal espanhol El País publicou uma reportagem sobre o Banco de Portugal, banco central português, estar aplicando sansões sobre o Grupo Espírito Santo. “Primeiro, eles foram retirados da gestão do banco, e agora tiraram o seu direito de voto. A família Espírito Santo foi expulsa do banco que leva seu nome”, diz a publicação.
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O BC tomou esta decisão depois de saber da perda de 3.577 milhões de euros no segundo semestre. Em um comunicado divulgado na última quinta-feira (31), o BCremoveu a votação da família Espírito Santo, através do seu grupo ESFG ,que ainda detém 20,1% das ações da empresa. A decisão foi refletida rapidamente nos mercados financeiros: ações do grupo caíram 45%.
O presidente do BC, Carlos Costa também decidiu "suspender, com efeito imediato, os membros dos órgãos de administração com responsabilidades de auditoria e gestão de riscos, bem como aos titulares dos órgãos de fiscalização." Esta suspensão afeta os atuais administradores Rui Silveira e Joaquim António Souto. Eles serão substituídos por pessoas no escritório até que os acionistas proponham novos gestores na próxima assembleia geral.
O supervisor também decidiu nomear um comitê de supervisão com pessoas da PriceWaterhouse Coopers, até que os acionistas promovam a substituição de membros da auditoria.
A intervenção do BC, no coração de executivo do BES é uma intervenção estatal absoluta, tendo em vista as perdas do banco e indícios de irregularidades nas suas finanças.
O BC também pede que o administrador atual, Vítor Bento, apresente um plano o mais rápido possível para aumentar o capital, visto que seu rácio de solvência (capacidade de resolver os seus encargos de dívida a longo prazo) é de 5% no momento, abaixo do mínimo que aconselham as autoridades europeias, que é de 9%.
O BC não descarta que, uma vez que a auditoria esteja concluída, possam haver evidências criminais contra membros do antigo conselho de administração, principalmente contra os dois altos executivos Ricardo Salgado e Amilcar Morais Pires. Tanto o administrador atual, Bento, quanto esses outros dois poderiam ser levados aos tribunais.
Com essas perspectivas, às dez horas começou a negociação das ações do banco e o afundamento foi instantâneo. Caiu como 51%, sendo negociado a € 0,17 por ação. Em seguida, recuperou-se 24%.