Uma reportagem do Financial Times afirmou que Dilma Rousseff enfrenta momentos difíceis, depois da maior alta da inflação no mês de março, em 11 anos. Segundo o jornal britânico, o apoio a Dilma caiu de 44% em fevereiro para 38% em março. O motivo da alta da inflação, aponta, seria uma seca severa que atinge o país.
A seca em toda a região agrícola do Sul do Brasil no início deste ano levou a um aumento no custo dos alimentos básicos: o preço do tomate e das batatas subiu mais de 30% em março em relação a fevereiro. Os custos com combustíveis também subiram, aumentando o IPCA em 0,92%. Foi o maior aumento mensal em março desde 2003 e superou as previsões dos analistas.
Os dados vêm em um momento difícil para Dilma, próximo das eleições, ressalta o jornal. Para a publicação, os candidatos à presidência devem trazer a questão da inflação para o debate eleitoral, visto que as pesquisas divulgadas na semana passada mostram que a inflação é a principal preocupação econômica para quase dois terços dos entrevistados.
Os preços de comida e bebida subiram 1,92% em março, responsáveis por 51% da inflação do mês, de acordo com números do IBGE. O feijão subiu quase 12% em março, o etanol, 4,07%, enquanto passagens aéreas subiram 26,5%, após uma queda acentuada em fevereiro. O FT destaca que a inflação é um assunto particularmente sensível para os brasileiros, considerando que muitos sofreram com a hiperinflação na década de 1980 e início de 1990.
Em um ano, a inflação subiu 6%, longe dos 4,5% da meta do governo, mas ainda abaixo do limite de 6,5%. Analistas esperam que a inflação se mantenha nessa taxa durante todo o ano, mas que, em julho, junto com a Copa e os prováveis protestos, ela volte a subir e chegue aos 6,5%.