Procon investigará denúncias de fraude na Black Friday brasileira

A Fundação Procon-SP anunciou nesta sexta-feira que investigará 87 denúncias de fraude nas “promoções” da Black Friday brasileira. As queixas dos consumidores foram feitas por meio da hashtag #deolhonaBlackFriday até as 17h30.

De acordo com o órgão de defesa do consumidor, houve “alguma evolução” quanto às informações divulgadas pelas empresas anunciantes, na comparação com o ano passado. No entanto, os compradores relataram problemas como instabilidade dos sites, “maquiagem” de descontos, redução de preço muito pequena perto da expectativa gerada e problemas na hora de fechar o negócio.

“Se comprovadas as infrações ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor, além da aplicação das penalidades nele previstas, o resultado do trabalho será encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo para a apuração dos crimes previstos nos artigos 66 (oferta enganosa) e 67 (publicidade enganosa) do Código”, afirmou a entidade em nota.

A consultoria Serasa Experian informou que a cada 20 segundos, em média, uma pessoa consulta gratuitamente um CNPJ antes de fechar o negócio na Black Friday – o número contabiliza os acessos até as 16h desta sexta-feira. A empresa liberou o acesso até o dia 1º de dezembro por meio do Você Consulta Empresas, para quem quiser evitar problemas nas compras. 

O site Reclame Aqui, especializado em reclamações de consumidores, criou uma página especial para avaliar os serviços durante a Black Friday. Um ranking, constantemente atualizado durante o dia, funciona como um "termômetro" das empresas com mais acusações e já bateu recorde. As denúncias giram em torno de problemas como mau atendimento, queda dos sites, propaganda enganosa e "maquiagem de preços", quando lojas aumentam preços dias antes para depois "simularem" descontos maiores.

Na quarta edição doméstica da Black Friday, que surgiu no Brasil nas vendas apenas pela Internet, varejistas se aproveitam da data para aumentar prazos das ofertas e estendê-las às lojas físicas, num esforço para antecipar parte das vendas de Natal. Em meio à desconfiança dos consumidores após fraudes no ano passado, as empresas não desanimaram e anunciam descontos de até 95% nesta sexta-feira em produtos que vão de roupa íntima a apartamentos.

Segundo órgãos de defesa do consumidor, a pesquisa de preços deve acontecer não só no momento da compra, como antes dela, para ter ideia de quanto realmente custava o produto fora da Black Friday.

Para auxiliar o consumidor nesse dia, a Serasa Experian liberou gratuitamente a consulta do CNPJ das empresas entre os dia 29 de novembro e 1 de dezembro. O consumidor pode acessar o site da Serasa e consultar a razão social, ocorrência de protestos, cheques sem fundo, ações judiciais, endereço, falências e a existência legal da empresa com a qual pretende fechar negócio.

Além disso, neste ano surgiram algumas ferramentas que ajudarão o consumidor a não comprar por impulso. Sites como Terra Shopping, Zoom, JáCotei.com.br e Buscapé Company fazem o monitoramento de preços para garantir que as empresas não aumentem os preços uns dias antes para depois ofertarem os descontos astronômicos na sexta-feira.