Os empresários argentinos lançaram um recente alerta quanto o risco do setor externo do país entrar em crise, afetando o dólar e reduzindo drasticamente a atividade econômica. A afirmação veio após a reunião com chefes industriais liderados por Hector Mendez, da União Industrial e divulgada na segunda-feira (4/11), na editoria Opinião do jornal Clarin. O encontro aconteceu há uma semana pela classe, com o intuito de avaliar o impacto da derrota eleitoral "cristinismo", que pode conduzir a uma "deterioração" da economia da Argentina, segundo o Clarin.
O jornal informa que a reunião dos empresários foi marcada por incertezas geradas pelo estado de saúde da presidente Cristina Kirchner e a "intensidade" do seu mandato com a formação do novo quadro político. A decisão do Tribunal sobre a lei de imprensa também esteve em pauta no encontro e os empresários expressaram surpresa com a mudança de posição da Justiça em defesa dos contratos privados e direitos adquiridos. Para a classe, a questão abre muitas perguntas.
Mendez comentou dados que ele considerou como "confidenciais", envolvendo a relação dos fundos de investimento e os chamados fundos abutres. O Clarin afirma que na semana passada houve uma reunião em Manhattan Gramercy promovido pelo Fundo e com o apoio da maioria dos detentores de bônus dispostos a contribuir com uma solução para o conflito. Com a ajuda dos obrigacionistas, o governo faria o pagamento de um plano fundos abutre. "A questão agora é como o acordo será apresentado, porque a sua existência irá contradizer a história oficial de Cristina e a promessa de que nunca pagaria um único dólar para esses grupos financeiros", diz o texto.
A matéria do Clarin aborda a possibilidade de o governo começar a emprestar e cobrir com as reservas de crédito que estão em "queda livre" através "da porta aberta com esse pagamento do plano". Durante o "encontro secreto da cúpula financeira" foi diagnosticado "os erros do governo e seus funcionários negligentes, que causaram as dificuldades externas, porque as condições internacionais são favoráveis para a manutenção de um estoque robusto de reserva. Raramente na história os termos de troca eram tão favorável para os produtos argentinos como este", destaca o texto.
A necessidade urgente de conter a drenagem nas correções monetárias também foi discutida pelos líderes. O "outlook bruto" foi refletido em uma série de "papers" desenvolvidos internamente no Centro de Estudos União Industrial Argentina, liderada pelo líder Roberto Arano. A matéria diz que o trabalho divulgado na terça-feira ressaltam os avanços contundentes sobre vários eixos: "a inflação está em alta, pois reflete significativamente na macroeconômica, a taxa monetária no vermelho com a sobrevalorização cambial e fiscal", destaca. Para a cúpula da UIA, a queda da moeda e as reservas do Banco Central estão atingindo um nível mínimo tolerável. "Os dados são conclusivos: ativos no exterior de importação garantida por apenas cinco meses, quando é normal ter uma reserva de dólares para abranger de oito a doze meses de importações", diz o texto do Clarin.
O jornal relembra que na crise de 2009, as reservas eram equivalentes a 18% do PIB e, atualmente, apenas 7%. "E pior: a moeda continuou em declínio projetado pelo dólar paralelo a 12 pesos de fim de ano", avalia o veículo.