Sem acordo sobre o orçamento, vários serviços federais dos
EUA estão fechados desde 1º de outubro; e até o dia 17 os deputados têm outro
desafio: decidir sobre a elevação do teto da dívida e impedir o calote
Na noite do dia 30 de setembro, os deputados americanos reuniram-se na Casa dos Representantes para tentar chegar a um acordo e aprovar o orçamento do novo ano fiscal dos Estados Unidos, que iniciou em 1º de outubro.
Um acordo significaria que a maior casa do Poder Legislativo americano havia concordado com as previsões de gastos federais, e com isso o Estado americano poderia seguir com suas funções e serviços públicos normalmente. Mas isso não foi o que ocorreu.
Motivados por sua rejeição à reforma da Saúde do governo do presidente Barack Obama, conhecida como Obamacare, um grupo de deputados do Partido Republicano (opositor ao Partido Democrata da atual administração) liderou um boicote à aprovação do orçamento. Isso fez com que a Casa dos Representantes não atingisse um acordo até a meia-noite do dia 30, data limite para a decisão.
Shutdown: o fechamento temporário do Estado
Na prática, a ausência do acordo dos deputados enviou a seguinte mensagem com o seguinte efeito para o Estado americano: nós não sabemos o que podemos gastar nesse ano, de modo que teremos que cortar a maioria dos nossos gastos até que cheguemos a uma decisão conjunta.
Isso é o shutdown: a paralisação (ou fechamento) de serviços ferais. Em outros termos: algumas funções o Estado param temporariamente de funcionar.
Os resultados puderam ser vistos já na manhã do dia 1º de outubro, quando diversos serviços federais considerados não essenciais foram paralisados. Entre os casos de maior visibilidade estão parques e museus operados pelo Estado.
Grande é também o impacto sobre os trabalhadores: com serviços paralisados, milhares de trabalhadores foram instruídos a ficar em casa. Na prática, eles estão impedidos de trabalhar, e não receberão por esse tempo parado. Estima-se que ao menos 800 mil trabalhadores estão sem trabalhar desde então – e receberão menos salários para cumprir com suas dívidas e pagar por suas vidas.
Default: o calote da dívida
?Mas o pior ainda pode estar por vir. Até o final da noite de 17 de outubro, o Congresso americano precisa chegar a um acordo sobre a elevação do teto da dívida (debt ceiling), isto é: decidir até que nível eles podem ser devedores – pois todos os Estados são consumidores de serviços e, como tais, precisam pagar suas contas.
O teto da dívida é um mecanismo criado para fazer com que o Estado contenha suas despesas e não contrate serviços de forma fiscalmente irresponsável. Atualmente, os Estados Unidos têm um teto de pouco mais de US$ 16 trilhões.
A questão é que, se os deputados não chegarem a um acordo sobre tudo isso até o dia 17 de outubro, os Estados Unidos entrarão em um período em que terão muito pouco dinheiro para cumprir com suas dívidas. Em questão de poucas semanas, esse dinheiro acabaria e faria com que os Estados Unidos se vissem obrigados a começar a cometer o calote (default): o não pagamento de seus compromissos financeiros.
Assim, a aprovação do orçamento e do teto da dívida representam um mesmo problema: o orçamento representa quando os Estados Unidos querem gastar (quais são seus planos de investimento e aquisições) e o teto da dívida representa quando o Estado está apto a se endividar para posteriormente pagar (algo, grosso modo, como o limite de empréstimo num banco ou limite de um cartão de crédito).
Crise e ideologia: republicanos x democratas
Mas por que tudo isto está acontecendo? Em linhas gerais, o shutdown e o risco do default têm uma mesma origem: a divergência ideológica entre republicanos e democratas sobre a reforma da saúde de Obama (no tuíte abaixo essa divergência fica evidente: o presidente afirma que os republicanos estão obcecados com o Obamacare).